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Entre 2014 e 2015, 11% dos alunos do ensino médio abandonaram os estudos

A ação tem por base a chamada "busca ativa". (Foto: EBC)

Dados divulgados  pelo governo federal mostram que, entre 2014 e 2015, 11% dos alunos do ensino médio abandonaram os estudos. O percentual é maior no primeiro ano desta etapa, alcançando 12,7% dos estudantes. No mesmo período, esta foi a série que também teve a maior taxa de repetência: 15,2%. Os indicadores de fluxo escolar foram revelados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)  e são resultado do acompanhamento longitudinal de alunos no período que vai de 2007 a 2015, a partir de dados do Censo Escolar.

Quando se leva em consideração a taxa de repetência, entre os anos de 2014 e 2015, é o 6º ano do ensino fundamental que aparece em segundo lugar, com 14,4% de alunos repetentes.

“Repetência e evasão se concentram nos primeiros anos de cada ciclo. A explicação é que há uma política mal feita para essas transições”, explicou Priscila Cruz, fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. “Do 5º para o 6º ano, quando os alunos entram no segundo segmento do ensino fundamental, deixam de ter um professor único e, assim, perdem o vínculo com os docentes. E sabemos que grande parte da aprendizagem depende da ligação que os alunos estabelecem com o professor.”

Do 9º ano do ensino fundamental para o 1º ano do ensino médio, os alunos encontram um conteúdo muito mais complexo e é nessa fase em que há um acúmulo de defasagens. “Muitos estudantes começam a estudar conceitos de química sem terem aprendido o básico de matemática”, afirmou Priscila.

Apesar de alguns números expressivos, segundo avaliação do Inep, a evasão teve uma queda progressiva, aumentando apenas em 2014. Entre 2007 e 2008, o percentual de alunos que havia abandonado o ensino médio era de 14,4%. O índice caiu nos anos seguintes e, em 2013, chegou a 10,8%. De 2014 para 2015, ele voltou a subir, ficando em 11%. Já a evasão nos anos finais do ensino fundamental foi de 5,4% entre 2014 e 2015, registrando um pequeno aumento em relação a 2013, quando ficou em 5,1%. No início do levantamento, em 2007, o percentual era de 7,5%.

Na comparação entre os estados, é o Pará que registra a maior taxa de evasão no ensino médio, entre os anos de 2014 e 2015, com 16%. Ele vem seguido por Mato Grosso, com 14%. O Rio de Janeiro teve um índice de 12% de estudantes desse segmento que abandonaram os estudos no período.

Migração

A reforma do ensino médio é uma aposta para tentar reduzir os índices de evasão no país. De acordo com presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Eduardo Deschamps, até o momento não houve redução significativa nos índices devido à falta de uma mudança substancial na etapa.

“Nunca houve, ao longo desse período, uma mudança estrutural no ensino médio, por isso a reforma é tão importante”, explicou. “A maior flexibilização do ensino, na qual o aluno define se ele quer que sua educação seja preparatória para ensino superior, mas também para entrada no mundo do trabalho, cria uma perspectiva melhor para o estudante. Isso ajuda a garantir a permanência do jovem na escola. É uma etapa bastante complexa, porque a escola concorre com outros aspectos, como a entrada precoce no mundo do trabalho”, disse.

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