Apontado pela imprensa como responsável por comandar um esquema de candidaturas-laranjas do PSL em Minas Gerais nas eleições do ano passado, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro na tarde dessa quarta-feira.
A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não informou o motivo do encontro, que aconteceu em meio à crise política detonada pela divulgação da irregularidade pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Já a assessoria do titular da pasta se limitou a dizer que a reunião teve como objetivo “discutir uma agenda para alavancar o setor no Brasil, por meio de um “pacote de projetos”.
O encontro aconteceu por volta das 14h30min. Marcelo Álvaro Antônio entrou e saiu do Palácio do Planalto pela garagem, por onde costumam ingressar integrantes do primeiro escalão.Ele tinha uma previsão de audiência com o vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, mas não compareceu à agenda. A assessoria também não se manifestou sobre a ausência.
O ministro deveria tratar com Mourão a situação de Brumadinho (MG), atingida pelo rompimento de uma barragem de mineração da Vale.
Depoimento
O encontro entre Bolsonaro e o ministro foi realizado no mesmo dia em que a imprensa revelou que a ex-candidata a deputada estadual Cleuzenir Barbosa (PSL-MG) entregou ao Ministério Público uma cópia de mensagem em que um assessor de Álvaro Antônio cobra a devolução de verba pública de campanha, a fim de destiná-la a uma empresa ligada a outro assessor do político.
Essa mensagem confronta a versão dada até agora pelo ministro e por seus assessores à época. Segundo o depoimento de Cleuzenir ao Ministério Público de Minas Gerais, o assessor a pressionou a transferir R$ 30 mil, dos R$ 60 mil que ela recebeu de verba pública do partido, para uma gráfica de um irmão de Roberto Soares, que foi assessor de Álvaro Antônio e coordenou sua campanha na região do Vale do Aço de Minas Gerais.
Até o momento, Bolsonaro não fez comentários públicos sobre as suspeitas ligadas ao ministro. O caso das candidaturas gerou críticas do presidente a outro auxiliar, o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, demitido na última segunda-feira.
Bebianno caiu após uma crise desencadeada no Palácio do Planalto com a revelação pela Folha da existência de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral. O partido foi presidido interinamente por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.
Depois de Bebianno ter sido chamado de mentiroso em postagem de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que por sua vez disse que o aliado “poderia voltar às origens”, o ministro se disse perplexo com o tratamento diferente do recebido por Álvaro Antônio no caso das candidaturas-laranjas.
