O presidente do Equador, Guillermo Lasso, anunciou na terça-feira (3) que as negociações de acordo de livre comércio com a China foram concluídas com sucesso, tornando o país o quarto da América Latina a estabelecer tal parceria com Pequim. A China já tem acordos do tipo com Peru, Costa Rica e Chile, e negocia com Uruguai e El Salvador.
Com o pacto, as exportações do país sul-americano para o mercado chinês deverão crescer cerca de US$ 1 bilhão, informou a agência de notícias Associated Press.
“Boas notícias para começar 2023. A negociação do acordo de livre comércio entre a China e o Equador foi concluída com sucesso”, publicou o presidente, que também procura um acordo semelhante com os Estados Unidos, no Twitter. “As nossas exportações terão acesso preferencial ao maior mercado do mundo, as nossas indústrias poderão adquirir máquinas e insumos a custos mais baixos”, acrescentou ele.
As negociações para o acordo, que serão assinadas uma vez concluídas as formalidades, começaram em fevereiro de 2022, durante uma visita da Lasso a Pequim para os Jogos Olímpicos de Inverno.
A China é um dos principais parceiros comerciais do Equador, com um fluxo de comércio bilateral de mais de US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) em 2022. No primeiro semestre do ano passado, a China foi o principal parceiro comercial não petrolífero do país sul-americano, de acordo com o Ministério de Produção do Equador.
O acordo deverá impulsionar as exportações de camarão, bananas, flores, cacau e café, mas também de “produtos não tradicionais” como pitaias, abacaxis, manga, mirtilos, quinoa, alimentos processados, frutas frescas e enlatados, informou o ministério. O governo está confiante em que o tratado irá aumentar as exportações para a China, que já tinham crescido fortemente no ano passado.
De acordo com dados do Banco Central, as vendas do Equador à China aumentaram de US$ 4 bilhões (R$ 21 bilhões) em 2021 para US$ 5 bilhões (R$ 27 bilhões) de janeiro a outubro de 2022. Já as importações cresceram de US$ 5 bilhões (R$ 27 bilhões) para US$ 5,3 bilhões (R$ 28 bilhões).
Em comunicado, o Ministério de Produção do Equador afirma que o acordo considera “as sensibilidades nos setores agrícola e industrial equatorianos” e estabelece “um número significativo de exclusões, particularmente na área da manufatura”. Mas também permite o livre acesso a matérias-primas, ferramentas e equipamentos que reduzirão os custos de produção para a indústria equatoriana.
Em setembro, o governo de Lasso conseguiu ampliar os prazos de pagamento e baixar as taxas de juros de US$ 3,2 bilhões (R$ 17 bilhões) que o país deve a dois bancos chineses. As informações são das agências de notícias AFP e AP.
