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Equipe econômica do governo vai insistir em mudar texto da PEC da autonomia do Banco Central no plenário do Senado

Apesar da aprovação na CCJ ter sido comemorada por setores do Banco Central, há o reconhecimento de que a proposta ainda enfrentará uma longa tramitação. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

equipe econômica pretende continuar atuando para modificar o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia do Banco Central (BC), aprovado na quarta-feira (10) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O colegiado aprovou o parecer do senador Plínio Valério (PSDB-AM), em uma versão que não conta com o apoio dos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Após a votação, os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti, reafirmaram a posição do governo de defender uma proposta mais enxuta, que amplie a capacidade orçamentária e de gestão do Banco Central sem alterar a natureza jurídica da instituição.

A avaliação da equipe econômica é de que a mudança prevista na PEC pode gerar impactos sobre as estatísticas fiscais do país, especialmente por provocar aumento da dívida pública e alterações na contabilização de receitas e despesas primárias.

Nesse contexto, a preferência do governo é pela manutenção do status de autarquia do Banco Central, o que preservaria sua classificação no setor público não financeiro e evitaria mudanças nos indicadores fiscais. Integrantes da equipe econômica admitem discutir alternativas, desde que seja possível construir um modelo que mantenha a instituição no setor público sem efeitos sobre as estatísticas fiscais.

Os defensores da PEC, entre eles a Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB), argumentam que a manutenção da autarquia, mesmo com maior autonomia financeira e orçamentária, poderia gerar questionamentos jurídicos por causa das regras constitucionais aplicáveis às autarquias.

O governo, porém, discorda dessa interpretação. A avaliação é que o Banco Central pode receber um tratamento específico que lhe permita ampliar investimentos, contratar pessoal e melhorar a remuneração dos servidores sem necessidade de alterar sua natureza jurídica.

Nos bastidores, também há incômodo na área econômica com parte do mercado financeiro. A percepção de integrantes do governo é que analistas costumam defender maior rigor fiscal, mas estariam minimizando os possíveis impactos fiscais da proposta em discussão. A crítica é de que a criação de exceções às regras fiscais costuma ser alvo de questionamentos, mas receberia tratamento diferente quando associada a medidas consideradas favoráveis ao mercado.

Apesar da aprovação na CCJ ter sido comemorada por setores do Banco Central, há o reconhecimento de que a proposta ainda enfrentará uma longa tramitação. O texto precisa ser analisado e votado pelo plenário do Senado e, se aprovado, seguirá para apreciação da Câmara dos Deputados.

 

(Com O Globo)

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