Os desdobramentos jurídicos da inédita interceptação telefônica envolvendo a presidenta Dilma Rousseff ainda serão motivo de muita discussão. Especialistas divergem sobre vários aspectos, desde a legalidade da escuta em si até a divulgação. Outro ponto polêmico é o fato de a gravação ter sido realizada após o juiz Sérgio Moro ter determinado a interrupção das escutas, o que seria determinante para a anulação de uma prova de eventual crime ou infração.
“Vivemos um momento muito delicado e temos uma situação perigosa, onde uma escuta tomou contato não só com uma pessoa de foro privilegiado, mas simplesmente com a presidenta. Acredito que, independentemente da questão do uso da prova nesse momento, é muito importante que o Supremo Tribunal Federal se pronuncie, crie uma jurisprudência para casos que possam vir a acontecer futuramente. Estamos falando da presidenta, há uma questão de segurança nacional envolvida”, disse o professor de Direito Constitucional da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Pedro Serrano.
O jurista comentou ainda que considerou vagas as justificativas de Moro para divulgar os áudios, com base no interesse público. (AG)
Escutas envolvendo Dilma provocam polêmica entre especialistas do Direito

Dilma embarca hoje para Nova York, para participar, amanhã da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris (Foto: Alan Marques/Folhapress)