O Ministério do futuro governo de Jair Bolsonaro tem a maior parcela de membros com origem nas Forças Armadas desde a redemocratização brasileira. À frente de sete pastas, os oficiais da reserva já ocupam 35% do primeiro escalão – até agora com 20 nomes anunciados.
Entre os ministros do governo Bolsonaro, fizeram carreira no Exército os generais Augusto Heleno (GSI), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), assim como Wagner Rosário (CGU), que é capitão da reserva, e Tarcísio Freitas, engenheiro na corporação por 16 anos. O representante da Marinha no governo é o almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior (Minas e Energia), enquanto o tenente-coronel Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) é oriundo da Aeronáutica, conforme o jornal O Globo.
Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro chegou a declarar que metade dos ministérios seriam ocupados por militares. Gustavo Bebianno, futuro titular Secretaria-Geral da Presidência, afirmou ao Globo em outubro que a equipe do presidente eleito teria “quatro ou cinco militares”.
O jornal O Globo compilou, com base em informações do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC-FGV) e de seu acervo, a composição inicial dos ministérios de todos os presidentes desde 1964.
Militares em cada governo
Sarney: 7 militares, entre os 27 ministros – 25,9%
Collor: 4 militares, entre os 12 ministros – 33,3%
Itamar: 5 militares, entre os 28 ministros – 17,9%
FHC 1: 4 militares, entre os 24 ministros – 16,7%
FHC 2: 5 militares, entre os 26 ministros – 19,2%
Lula 1: 1 militar, entre os 34 ministros – 2,9%
Lula 2: 1 militar, entre os 36 ministros – 2,8%
Dilma 1: 1 militar, entre os 37 ministros – 2,7%
Dilma 2: 1 militar, entre os 39 ministros – 2,6%
Temer: 1 militar, entre os 23 ministros – 4,3%
Bolsonaro*: 7 militares, entre os 20 ministros – 35%
*Ainda em fase de indicações para futuro governo
Collor: percentual maior
Após a redemocratização, o governo com mais membros das Forças Armadas no primeiro escalão até o momento havia sido o de José Sarney. Assim como Bolsonaro, ele iniciou sua gestão, em 1985, com sete militares. Mas sua equipe era maior do que a do presidente eleito, chegando a 27 órgãos com status de ministério.
Já em termos percentuais, a maior participação antes de Bolsonaro ocorreu com Fernando Collor: um terço das pastas (quatro em 12) ficou com militares. Isso porque, até o segundo governo de Fernando Henrique, o número de oficiais era ampliado pelo fato de Exército, Marinha e Aeronáutica terem status de ministérios na época.
Também eram ministros os chefes do Estado-Maior das Forças Armadas e do Gabinete Militar, posteriormente renomeado como Ministério da Casa Militar. Até o governo Sarney o Serviço Nacional de Informações (SNI)— órgão de inteligência que deu suporte à perseguição de opositores da ditadura militar — também tinha status de ministério.
Só em 1999 o atual desenho institucional do governo federal foi adotado, com a criação do Ministério da Defesa — que reúne as Forças Armadas. Foi também no início do segundo governo FH que a Casa Militar foi transformada no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência. Desde então, o GSI passou a ser o único órgão de primeiro escalão ocupado por militares, o que ocorreu nos governos Lula, Dilma e Temer.
