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Espanha de Yamal desafia a França de Mbappé, nesta terça, por uma vaga na final da Copa

Lamine Yamal (Espanha) é considerado um dos maiores talentos do futebol mundial de sua geração. (Foto: Reprodução)

França e Espanha chegam à semifinal da Copa do Mundo como quem não precisa pedir licença para sonhar com a final nem com o título. O duelo começa às 16h de Brasília desta terça-feira e carrega tudo o que uma semifinal precisa ter: estrelas, história, revanche, estilos diferentes e tensão fora de campo.

Entre os quatro sobreviventes do Mundial — Argentina, Espanha, França e Inglaterra — é difícil apontar um favorito absoluto. Todos chegaram porque mereceram. Todos têm história, camisa, jogadores e motivos suficientes para acreditar na conquista.

Mas preferência é outra coisa. E, nesta Copa, a França encantou mais do que a Espanha. O time de Didier Deschamps mostrou uma força ofensiva impressionante, com Mbappé, Barcola, Olise e Dembélé jogando em alta velocidade e com uma confiança que assusta. A França parece pronta. Talvez até no limite do que pode entregar. A Espanha, por outro lado, dá a sensação de ainda ter de onde tirar. Yamal melhora a cada jogo.

É isso que torna a semifinal desta terça-feira em Dallas tão imprevisível. A França chega com mais brilho no presente. A Espanha, com mais respostas coletivas. Tem Rodri, tem Lamine Yamal, tem uma ideia de jogo bem definida e tem também um passado recente que serve de combustível.

Foi a Espanha que eliminou a França na semifinal da Eurocopa de 2024. Não faz tanto tempo assim. Muitos rostos ainda são os mesmos.

O passado é Espanhol; o presente é da França

O passado aponta caminhos, mas não decide o jogo desta semifinal de Copa. Não decide jogo nenhum. E o presente francês fala mais alto. Mbappé vive mais uma competição de protagonista. Talvez ele esteja em seu melhor momento. Nem no Real Madrid ele foi assim. Mesmo quando erra, como no pênalti perdido contra Marrocos, volta para decidir. Fez gol, levou a França para a semifinal e mostrou que a seleção vice-campeã de 2022 talvez esteja ainda mais perigosa agora. É um time com cara de campeão.

A Espanha, porém, não parece intimidada. Lamine Yamal, que completa 19 anos nesta segunda-feira, dia 13, tratou de colocar mais pimenta no jogo. Foi quase um desafio. Disse que, se a França deve temer alguém neste Mundial, esse alguém é a Espanha. “Fomos nós que os eliminamos”, lembrou, em referência à Eurocopa de 2024. Para ele, são duas das melhores seleções do mundo. Talvez as duas melhores. E a Espanha não tem medo.

“Se eles têm alguém a temer nesta Copa, somos nós. Fomos nós que os eliminamos (na Euro 2024). Somos duas das melhores seleções do mundo. E não temos medo de nada. Desde o início do Mundial, todos esperavam por esse jogo. Se alguém pode ir com segurança contra a França, somos nós”, disse Yamal.

O problema é que nunca é apenas futebol. Às vésperas da semifinal, Mariano Rajoy, ex-primeiro-ministro da Espanha, fez um comentário xenófobo ao dizer que a França é uma seleção “sem franceses”.

A frase pegou mal, como deveria pegar. Aponta o dedo para jogadores que nasceram fora do país ou que são filhos de imigrantes, mas que têm todo o direito de vestir a camisa francesa. É uma declaração que tenta diminuir uma seleção construída também pela diversidade, como é o futebol e o mundo.

Quando a política entra em campo

Rajoy jogou contra a própria história da França. O país carrega desde a Revolução Francesa três palavras que viraram princípio: liberdade, igualdade e fraternidade. “Liberté, Égalité, Fraternité”. Estão na Constituição francesa de 1958. Chamar a França de time “sem franceses” é ignorar o que o país é, o que representa e como o futebol moderno se formou. É também esquecer que seleções nacionais não são clubes de sangue puro. São retratos de sociedades reais.

A reação veio rápido. Pedro Sánchez, atual primeiro-ministro espanhol, condenou a fala de Rajoy nas redes sociais. Disse que a Espanha pertence a quem a ama e trabalha por ela, não a quem a envergonha com declarações xenofóbicas. Terminou com uma frase forte: “que vença o melhor na Copa e que perca o racismo.” Alguns jogadores espanhóis também repudiaram a fala do premier.

Os franceses, por enquanto, estão quietos. Deschamps é experiente demais para deixar o seu grupo entrar em provocação de véspera. São 14 anos no comando. Ele já viveu de tudo nesta seleção. Sabe que esse tipo de frase pode inflamar, mas também pode distrair. A França tem mais a ganhar respondendo em campo.

E, se há um time capaz de transformar provocação em combustível, é justamente esse grupo, que há anos convive com debates sobre identidade, imigração e pertencimento.

Há preferências, mas não há favoritos
A Espanha também precisará controlar o próprio entusiasmo. Lamine Yamal fala com a coragem de quem tem 19 anos e futebol de gente grande. Mas uma semifinal de Copa cobra mais do que talento. Cobra paciência, leitura, frieza e capacidade de sobreviver a momentos ruins. Contra a França, não basta lembrar 2024. É preciso jogar 2026.

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