Em uma semana, o famoso Boeing 747 conhecido como Air Force One estará pousando em Havana para a primeira visita oficial de um presidente norte-americano a Cuba nos últimos 88 anos.
Há quem veja a iniciativa de Barack Obama como um catalisador, capaz de acelerar as mudanças na ilha administrada pelo regime socialista desde 1959 e que agora pode dar uma guinada capitalista que afetará 11 milhões de habitantes. Também não faltam opiniões de que essa quebra de barreira concederá maior legitimidade ao atual presidente cubano Raúl Castro, que se divide entre a necessidade de modernização e os planos de manutenção do ideal revolucionário implementado por seu irmão Fidel Castro há quase 60 anos.
Nos Estados Unidos, por sua vez, a viagem reforça a nova agenda externa do país, mais propensa ao diálogo do que a sanções. As opiniões são divididas. Dissidentes do regime castrista radicados em Miami se opõem à visita. Um deles é o pesquisador cubano
José Azel, que não vê avanços no ato e ainda acredita no risco de aumento da repressão aos opositores na ilha, em um momento propício à abertura. “Obama fará parte de um engodo destinado a mascarar a realidade cubana neste momento de festa do regime autoritário”, avalia. Para ele, a maior prova disso são as manifestações recentes do próprio governo de Havana, reiterando que não mudará a sua política, nem mesmo nos direitos humanos. (AG)
