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Esporte pós-pandemia: o que devemos esperar?

O outdoor também ganha novo significado com caminhadas e corridas diárias pelo nosso próprio bairro. (Foto: Reprodução)

Quem não fez pelo menos um treino online não viveu a pandemia do novo coronavírus. Rolou conteúdo de tudo o que é tipo – lives de yoga, challenges fitness no Instagram, aplicativos com treinos funcionais e personal via Zoom.

Praticar exercícios acabou entrando na agenda de quem era sedentário como forma de aliviar tensões ou passar o tempo (em bom português, para não enlouquecer). Para quem já era ativo, então, nem se fala. Ficou claro que o esporte foi uma das áreas que mais mudou e vai continuar mudando daqui para a frente. Afinal, se reinventar faz parte do jogo (e da trajetória de grandes atletas) e a retomada das atividades promete mudanças positivas neste âmbito.

“A tecnologia sempre esteve presente no esporte por meio de gadgets, aparelhos, softwares, aplicativos e plataformas que otimizam e trazem facilidades, além de redes sociais com interação e competição. Isso acabou se intensificando e permitindo a adaptação do real para o virtual”, diz Bruna Bittencourt, atleta amadora e empreendedora que está prestes a lançar a Qip, comunidade online onde as pessoas podem comprar e vender equipamentos usados de qualidade.

A iniciativa mostra essa ressignificação da nossa própria casa, que também virou academia, spa, estúdio de ioga… Durante o isolamento social, nos tornamos mais “donos” do nosso tempo, experimentamos, passamos a valorizar mais o ar livre. Agora que começamos a rever o mundo, como fica tudo? Nas próximas páginas, você confere nossas apostas (e de experts) sobre aplicativos, novas modalidades e as principais mudanças do universo esportivo.

Na natureza selvagem

Depois meses em casa, é compreensível que as pessoas valorizem cada momento de respiro ao ar livre e prefiram fazer atividades conectadas à natureza – quem aguenta continuar olhando para as paredes? Prepare-se, então, para ver cada vez mais amigos fazendo trekking, hiking, mountain bike e corrida de montanha. “As corridas de aventura devem estar entre as primeiras modalidades a voltarem ao patamar pré-pandemia devido ao tamanho controlável e operação 100% outdoor”, afirma Daniel Krutman, do Ticket Agora, plataforma de venda de ingressos de eventos esportivos.

O outdoor também ganha novo significado com caminhadas e corridas diárias pelo nosso próprio bairro. Para Junior Negão, um dos fundadores do Ghetto Run Crew, grupo de corrida e ocupação urbana, se exercitar perto de casa é uma forma de identificar o que pode ser melhorado. “Havia um preconceito em correr no bairro, principalmente nos periféricos. Agora, as pessoas foram obrigadas a encarar esta narrativa: de que o esporte atua cultural, social e politicamente e, hoje ocupar as ruas em torno da sua casa, em vez de se aglomerar em parques, é ser resistência.”

Esportes aquáticos

Antes mesmo da reabertura dos parques e das academias, cidades litorâneas do País e do mundo permitiram a prática de esportes aquáticos individuais, tais como surfe, stand up paddle, caiaque e natação. “Por se tratar de um ambiente aberto, onde há troca constante da água e em temperatura pouco propícia ao vírus, o mar apresenta um baixo risco de contágio”, explica Raquel Muarrek, infectologista da Rede D’Or.

Nas academias

Agora é preciso agendar horário, usar máscara e manter distanciamento para treinar, sem contar outras medidas de segurança definidas por cada local. Em algumas unidades da Les Cinq Gym, por exemplo, está rolando: reconhecimento facial termográfico, em que um sistema de câmera mede a temperatura do aluno ao mesmo tempo em que checa se está de máscara e, assim, libera a entrada; lâmpadas germicidas: com radiação ultravioleta tipo C, elas prometem neutralizar a ação do vírus; esterilização nebulizadora: higienização mais pesada de todos os ambientes e superfícies (como aparelhos, maçanetas e teclados) com quaternário de amônio e peróxido de hidrogênio, eficazes na desinfecção.

Provas virtuais

Esportistas de verdade mantiveram a motivação por meio de desafios e provas virtuais. “A principal carência humana neste tempo difícil são as experiências, os eventos, a cultura, a convivência. E o esporte proporciona tudo isso. Então, a tendência é que os eventos se tornem híbridos, existindo no virtual e no real de maneira casada, conectando tudo isso”, explica Daniel Krutman.

Ioga

A prática milenar da ioga alia fortalecimento muscular com alongamento (muito desejado em tempos de home office) e relaxamento, combo perfeito para quem deu uma leve surtada – quem não? Ainda pode ser feita em qualquer canto. Segundo a SEMrush, companhia americana especializada em marketing digital, a busca por “yoga online” cresceu 66% durante a pandemia. Quer ser a mais antenada da turma? Vá de kundalini. “Ela trabalha o tantra e o chakra sexual. Está ligada às tendências do sexual wellness e do sagrado feminino”, diz a especialista em tendências Iza Dezon. Nos sentimos prontas! Namastê.

Endorfina a um clique

Alguns aplicativos testados e aprovados para quem quer se exercitar no conforto do lar:

DOWN DOG – Videoaulas de ioga com músicas delicinhas que permitem escolher tipo de prática, duração, estímulos (fortalecimento, alongamento, relaxamento, etc.). Está gratuito até janeiro no Brasil como forma de solidariedade com a crise de gestão da pandemia – amamos!

BTFIT – O app da rede Bodytech teve mais de 500 mil novos inscritos nos últimos meses graças aos diversos treinos de 15 a 25 minutos, em várias intensidades, sem equipamentos e para serem realizados em casa ou na academia. Praticidade que fala?

SMART COACH – A Smart Fit lançou este app com treinos personalizados feitos por um personal trainer e direito a consulta semanal. Nos encontros, os treinos são definidos e ajustados para que o aluno faça suas atividades no restante da semana com base em vídeos pré-gravados. Custa R$ 30 por mês.

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