Oficiais de Estados Unidos e Ucrânia se reuniram na Flórida neste domingo (30) para discutir um possível acordo de paz para a guerra da Ucrânia. O encontro ocorreu após reuniões entre negociadores americanos e ucranianos em Genebra e Abu Dhabi na última semana.
A delegação americana foi chefiada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O enviado especial do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente Jared Kushner também participaram das conversas.
Já Kiev enviou, aos Estados Unidos, Andrii Hnatov, o chefe das forças armadas da Ucrânia; Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia; e Rustem Umerov, chefe do conselho de segurança da Ucrânia, segundo um comunicado do presidente ucraniano Volodmir Zelenski.
“Não se trata apenas de acordos de paz”, afirmou Rubio, após a reunião. “Mas também se trata de garantir um fim para a guerra que deixe a Ucrânia soberana e independente e com a oportunidade de alcançar prosperidade real.”
Rustem Umerov, chefe do Conselho de Segurança da Ucrânia, respondeu a Rubio expressando a gratidão de seu país pelos esforços dos EUA, uma mensagem direcionada a Trump, que por vezes afirmou que a Ucrânia não foi suficientemente grata pela assistência dos EUA durante a guerra.
“Os EUA estão nos ouvindo”, disse Umerov. “Os EUA estão nos apoiando. Os EUA estão trabalhando ao nosso lado.”
Andriy Yermak, que era o principal negociador ucraniano, não participou das conversas por ter renunciado ao seu cargo de chefe de gabinete de Zelenski na sexta-feira, 28, em meio a denúncias de corrupção.
Zelenski afirmou na rede social X que a delegação ucraniana iria “trabalhar de forma rápida e substantiva nas etapas necessárias para terminar a guerra”.
Os diplomatas dos dois países revisaram o plano proposto de 28 pontos de Trump, que foi desenvolvido após negociações entre Washington e Moscou. Essa fórmula foi criticada por ser demasiadamente favorável às demandas russas. Inicialmente, ele previa que a Ucrânia cedesse toda a região oriental do Donbass para a Rússia — um ponto de discordância para Kiev.
O plano — que Trump desde então minimizou como um “conceito” ou um “mapa” a ser “ajustado” — também imporia limites ao tamanho do Exército ucraniano, bloquearia o país de entrar na Otan, e exigiria que a Ucrânia realizasse eleições em 100 dias.
Negociadores indicaram que o plano foi reduzido de 28 para 19 pontos, mas não está claro como suas disposições foram alteradas.
O presidente americano afirmou nesta semana que irá despachar Witkoff para Moscou na semana que vem para conversar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Apesar das negociações, os bombardeios continuam na Ucrânia. No sábado, 29, drones e mísseis russos atingiram Kiev e mataram pelo menos três pessoas. Durante a madrugada de domingo, ataques de drones feriram 19, segundo autoridades locais.
Em uma postagem no Telegram, Zelensky apontou que a Rússia atacou a Ucrânia com 122 drones de ataque e mísseis balísticos nos últimos dias.
“Tais ataques ocorrem diariamente. Somente nesta semana, os russos usaram quase 1.400 drones de ataque, 1.100 bombas aéreas guiadas e 66 mísseis contra nosso povo. É por isso que devemos fortalecer a resiliência da Ucrânia todos os dias. Mísseis e sistemas de defesa aérea são necessários, e também devemos trabalhar ativamente com nossos parceiros pela paz”, disse Zelensky.
“Precisamos de soluções reais e confiáveis que ajudarão a acabar com a guerra”, ele acrescentou.
