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Estados Unidos planejam lançar missões ultrassecretas contra a Rússia na Guerra da Ucrânia

O Pentágono pediu ao Congresso dos EUA para retomar o financiamento de dois programas ultrassecretos de inteligência na Ucrânia. (Foto: Reprodução)

O Pentágono pediu ao Congresso dos EUA para retomar o financiamento de dois programas ultrassecretos de inteligência na Ucrânia, suspensos antes da invasão da Rússia no ano passado. Se aprovada, a medida permitiria que militares do setor de Operações Especiais dos Estados Unidos treinem agentes ucranianos para monitorar os movimentos militares russos no front e executar missões de contrainformação, além de retomar o cultivo de fontes de inteligência no terreno. Inéditas desde o início da guerra, as missões implicariam um maior envolvimento americano no conflito, num momento em que a ajuda militar de Washington a Kiev está crescendo.

Os programas podem ser retomados em 2024, embora ainda não esteja claro se o governo de Joe Biden permitiria que militares dos EUA voltassem à Ucrânia para supervisionar o trabalho ou se tentariam que fazer isso de um país vizinho. Nenhum militar americano é conhecido por ter operado lá desde o início da guerra, além de um pequeno número encarregado da segurança da Embaixada dos EUA em Kiev.

Funcionários do Congresso disseram que é difícil prever o resultado da votação, especialmente com os republicanos divididos sobre as vastas somas gastas na Ucrânia. Outros argumentam que a despesa relativamente pequena dos programas – US$ 15 milhões (cerca de R$ 79 milhões) anuais para tais atividades em todo o mundo – é uma pechincha em comparação com as dezenas de bilhões de dólares comprometidos para treinar e armar as forças ucranianas e reabastecer os estoques dos EUA.

Oficiais militares estão ansiosos para reiniciar as atividades na Ucrânia para garantir que fontes de inteligência conquistados com dificuldade não sejam perdidos à medida que a guerra avança, disse Mark Schwartz, um general aposentado de três estrelas que liderou as Operações Especiais dos EUA na Europa quando os programas começaram em 2018. “Quando você suspende essas coisas porque a escala do conflito muda, você perde o acesso”, disse ele, “e isso significa que você perde informações e inteligência sobre o que realmente está acontecendo no conflito”.

Serviços de inteligência americanos por muitos anos pagaram unidades militares e paramilitares estrangeiras selecionadas no Oriente Médio, Ásia e África, empregando-as como “substitutas” em operações de contraterrorismo contra a Al-Qaeda, o Estado Islâmico e seus afiliados.

Programas mais recentes, como os usados na Ucrânia, são considerados uma forma de “guerra irregular”. Eles são destinados ao uso contra adversários, como a Rússia e a China, com quem os Estados Unidos estão em competição, não em conflito aberto.

Críticos dizem que tais atividades aumentam o risco de levar os Estados Unidos a um papel mais direto na guerra da Ucrânia. Oficiais de defesa sustentam, porém, que ao contrário do esforço maior e mais aberto do Pentágono para armar os militares ucranianos, os programas secretos não contribuiriam diretamente para a capacidade de combate da Ucrânia, porque os agentes envolvidos e seus financiadores dos EUA seriam restritos a realizar apenas as tarefas não violentas que haviam assumido até sua suspensão no ano passado.

O debate surge quando a guerra em grande escala da Rússia na Ucrânia se aproxima do seu segundo ano e quando o governo Biden acelera e expande dramaticamente o escopo da assistência militar que está fornecendo ao governo em Kiev, apesar dos repetidos protestos russos e ameaças de escalada.

Nas últimas semanas, Biden autorizou o fornecimento de munição e armas avançadas, incluindo tanques de batalha pesados e outros veículos blindados de combate. O restabelecimento desses programas de guerra irregular aprofundaria ainda mais o envolvimento de Washington, concedendo aos militares americanos controle direto sobre os agentes ucranianos na zona de guerra.

Normalmente, a implantação de uma equipe de controle substituta no país anfitrião é necessária como parte desses programas, embora as tropas de Operações Especiais dos EUA tenham se acostumado nos últimos anos a aconselhar forças substitutas e parceiras longe das linhas de frente. Biden prometeu que não enviaria tropas para dentro do país, exceto em casos isolados, que incluem o adido militar e o pessoal de segurança que trabalha na embaixada. As informações são jornal The Washington Post.

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