Os Estados Unidos deram passos para abrir um diálogo com o Irã e outros países a respeito da crise na Síria e no Iêmen
O secretário de Estado John Kerry se reuniu com o ministro das Relações Internacionais do Irã, Javid Zarif, paralelamente à Assembleia Geral da ONU, e disse a repórteres que haveria discussões durante a semana que poderiam ser críticas para a resolução dos conflitos.
“Eu encaro essa semana como uma grande oportunidade para qualquer número de países desempenharem um papel importante na tentativa de resolver alguns dos assuntos bastante difíceis do Oriente Médio”, disse Kerry.
“Nós temos que alcançar a paz e o avanço na Síria, no Iêmen (…) na região em si, (e) eu acho que há muitas oportunidades nessa semana, através dessas discussões, de fazer algum progresso.”
Kerry e Zarif tiveram sua primeira reunião face a face desde que selaram um acordo nuclear histórico em Viena em julho. Kerry levantou preocupações sobre a instabilidade na Síria e no Iêmen, e sobre o destino de americanos detidos ou desaparecidos no Irã, disse seu porta-voz.
Zarif disse que seu foco primário nas conversas com Kerry seria a implementação do acordo que contém o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções econômicas. Ele também disse que o Irã estava disposto a discutir, no fórum apropriado, assuntos regionais, incluindo o tumulto na peregrinagem durante o Hajj, na Arábia Saudita.
Pelo menos 769 pessoas foram mortas no tumulto, incluindo 136 iranianos, e o Irã se comprometeu no sábado a tomar medidas legais internacionais contra os líderes da Arábia Saudita.
“A situação da região, os desafortunados acontecimentos na Arábia Saudita na última semana, foram desastrosos, e nós temos que abordá-los. Nós os abordaremos no fórum internacional apropriado”, disse Zarif.
Em uma reunião com o presidente iraniano, Hassan Rouhani, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, instou o líder a “contribuir com uma resolução política da crise na região”, e destacou a Síria e o Iêmen.
Na sexta, a negociadora chefe da gestão Obama, Wendy Sherman, disse que debater a Síria com autoridades iranianas “faria sentido” no contexto dos últimos acontecimentos.
Mas ela apontou resistência à ideia internamente no Irã, que, junto à Rússia, é o maior apoiador do presidente sírio Bashar Assad. Ela afirmou que o tema Síria já foi levantado informalmente em paralelo às negociações nucleares que terminaram em julho, apesar de isso nunca ter acontecido de forma estruturada.
Os Estados Unidos, fizeram apelos, sem sucesso, para que Irã e Rússia parem de apoiar Assad. Em semanas recentes, a Rússia ampliou sua presença militar na Síria. Esse deve ser um tema central de discussão na reunião de domingo entre Kerry e o chanceler russo Sergey Lavrov em Nova York, um dia antes das conversas entre o presidente Barack Obama e o presidente russo Vladimir Putin.
Autoridades americanas disseram que não têm certeza sobre os motivos para a intensificação da presença militar russa, mas afirmaram que eles receberiam bem uma contribuição positiva na luta contra o Estado Islâmico que não sirva de apoio a Assad.
A administração havia insistido que Assad deve deixar o poder porque não tem credibilidade para comandar o país. Nos últimos dias, no entanto, autoridades, incluindo Kerry, apontaram que Assad talvez possa fazer parte de alguma transição política que levaria à formação de um novo governo.
Sherman, que está deixando seu posto no próximo mês, ecoou essa possibilidade, dizendo que pode ser possível que Assad tenha um papel em uma transição.
No Iêmen, a luta envolve rebeldes xiitas, conhecidos como houthis, e forças leais ao antigo presidente Ali Abdullah Saleh, contra forças do governo, reconhecidas internacionalmente e apoiadas pela Arábia Saudita, assim como separatistas do Sul, milícias locais e extremistas sunitas.
A guerra teve uma escalada em março, quando a coalizão liderada pela Arábia Saudita iniciou uma campanha militar envolvendo ataques aéreos e tropas terrestres contra os houthis e seus aliados.
Mais do que 2.100 civis foram mortos, de acordo com estimativas da ONU. A coalizão procurou recentemente retomar a capital Sanaa, capturada e controlada desde setembro pelos rebeldes.
O Irã tem dado apoio a seus parceiros xiitas no Iêmen. Assad, da Síria, é um membro da minoria religiosa alauita, que segue uma linha do islamismo xiita. (AP)
