As goianas Kátyna Baía e Jeanne Paolini, soltas após mais de um mês presas na Alemanha, disseram se sentir fortes e prontas para contar ao Brasil tudo o que aconteceu com elas no período em que estiveram detidas em Frankfurt. Em entrevista à Record TV, Kátyna agradeceu à população brasileira pela “generosidade”, e disse que elas receberam energia positiva para se manterem firmes na prisão.
“Estamos muito fortes para contar para vocês tudo o que se passou conosco aqui. Obrigada por tudo, Brasil. Temos simplesmente muita gratidão por toda a generosidade e orações que vocês nos mandaram. Essa energia chegou até nós. Ficamos firmes aqui”, disse a personal trainer.
As brasileiras foram presas após terem suas malas trocadas no aeroporto de Guarulhos e trocadas por outras com 40 kg de cocaína. Elas foram liberadas nesta terça-feira. A advogada Chayane Kuss, que defendeu as goianas na Alemanha, comemorou a iniciativa do Ministério Público alemão de, segundo ela, representar diretamente ao presídio feminino pela libertação.
De acordo com ela, o caso é inédito na justiça alemã.
“É uma notícia maravilhosa, as brasileiras Kátyna e Jeane foram liberadas, o próprio Ministério Público, assim como era a nossa estratégia, pediu a soltura delas e elas devem sair do presídio a qualquer momento”, comemorou. “É realmente inédito isso, a forma e a rapidez como aconteceu, e estamos felizes que a estratégia funcionou, porque não tem precedente na Alemanha comparado com essa situação em que o Ministério Público não somente tutele, peça pela inocência das acusadas, mas que também venha diretamente ao presídio com um pedido de soltura.”
Ação criminosa
Ao longo do último mês, o Consulado-Geral do Brasil em Frankfurt, na Alemanha, afirma ter realizado visitas consulares às nacionais no presídio, além de ter conduzido gestões junto às autoridades carcerárias e judiciárias locais para acompanhar o trâmite legal.
Ao serem abordadas, as brasileiras disseram não saber a origem da cocaína em suas malas e alegaram que as bagagens não eram delas. Segundo a Polícia Federal, “há uma série de evidências que levam a crer, de fato, que não há envolvimento delas com o transporte da droga, pois não correspondem ao padrão usual das chamadas ‘mulas do tráfico’”.
O caso foi elucidado pela Polícia Federal brasileira, que teve acesso a câmeras de segurança do Aeroporto de Guarulhos, que flagram o momento em que membros da quadrilha trocam as etiquetas das malas de Kátyna e Jeanne, que são casadas há 12 anos e pretendiam passar 20 dias de férias na Europa.
Após enviar farto material probatório às autoridades alemãs, incluindo mais de 200 horas de filmagens do aeroporto, o Ministério Público local concluiu que, de fato, as brasileiras foram presas injustamente e entrou com um pedido direto de liberação das duas, que deverá ser cumprido a qualquer momento. A família delas já estava a caminho da Alemanha quando recebeu a boa notícia. As informações são do jornal O Globo.
