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Estética masculina em alta: os procedimentos mais procurados por homens

Procura masculina por procedimentos estéticos subiu mais de 40% nos últimos cinco anos. (Foto: Freepik)

É possível traçar uma linha do tempo empírica: até 2015, os homens com mais de 50 anos eram os que mais costumavam procurar clínicas de cirurgia plástica. Geralmente para intervenções nas pálpebras caídas ou a fim de corrigir a papada, aquela gordurinha abaixo do queixo. Eis que, na última década, a cosmiatria começou a fisgar rapazes interessados numa rotina de skincare. Após a pandemia, quando muitos perderam peso pela queda de apetite provocada pela Covid-19, foi a vez deles descobrirem as lipos HD, que definem o contorno corporal. Agora, na era dominada pelas canetas emagrecedoras, que provocam o “rosto de Mounjaro”, marcado por rugas evidentes e olheiras acentuadas, a presença masculina nos consultórios é constante.

“Tenho recebido muitos jovens que emagrecem rapidamente e se queixam de flacidez facial”, atesta a cirurgiã plástica Irene Daher. Gente como o professor de educação física e terapeuta holístico Matheus Jarddin, de 32 anos, que recorreu ao bioestimulador de colágeno e ao preenchimento com ácido hialurônico nas mandíbulas, olheiras e bochechas. “Emagreci dez quilos e fiquei com o rosto chupado. Os procedimentos me deixaram com uma cara saudável”, afirma ele.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, 30% do público nos consultórios é masculino, um percentual seis vezes maior do que há cinco anos. Trata-se de um fenômeno mundial: segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o número de intervenções cirúrgicas realizadas em homens cresceu 95% entre 2018 e 2024.

Na clínica Rio Arte, com unidades em Ipanema, Leblon e Barra, o aumento foi de surpreendentes 260% no último ano. Na rede, o carro-chefe é o hair glow, terapia regenerativa capilar que fortalece os folículos, permitindo que os fios voltem a crescer.“Antigamente, o autocuidado masculino era alvo de julgamentos. Mas o conceito de wellness ganhou espaço e, agora, pessoas bem-sucedidas têm de estar bem com o corpo e a mente”, observa o sócio-fundador Saulo Reis.

O perfil dos homens que resolvem pôr a cara ou outros membros a tapa é diferente do das mulheres: eles não têm muita resistência à dor e não gostam de ficar com o rosto vermelho e descamando após um procedimento, como o laser de CO2. “Para não se afastar do trabalho, meus pacientes preferem tratamentos que provocam menos trauma, como o ultrassom microfocado, que melhora a tonicidade da pele”, conta a dermatologista Daniela Alvarenga. Ela percebeu que, no último ano, a frequência masculina dobrou em seu consultório.

O Botox também está em alta, principalmente entre rapazes de 25 a 30 anos. “Notei uma linha de expressão na testa e, desde então, faço de forma preventiva, para não ficar com um vinco”, assume o cabeleireiro Douglas Andrade, 30, adepto das agulhadas desde os 25. Recentemente, ele fez preenchimento na mandíbula para garantir um ar “mais másculo”.

“Quem já passou dos 40 procura a naturalização facial, que reposiciona volumes do rosto, mas preserva os traços”, relata Andrea Canto de Mesquita, dermatologista responsável pelos procedimentos de Andrade. Vale o alerta: “O culto ao corpo, propagado em filmes, novelas e nas redes sociais, atende a um apetite mercadológico”, pontua o antropólogo e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Lenin Pires. Equilíbrio é a palavra-chave.

Sem dor, por favor

Os tratamentos mais pedidos pelo público masculino são menos invasivos

•Regeneração capilar
•Botox
•Preenchimento de áreas do rosto
•Bioestimulador de colágeno
•Ultrassom microfocado
•Lipo HD e Ultra HD (Com informações da Veja Rio e O Globo)

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