Ao menos cem alunos da escola estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, entraram e se trancaram no local na manhã desta terça-feira (10). A ação ocorreu em protesto contra o fechamento de unidades para a reorganização da rede pública anunciada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).
O grupo chegou, com faixas e cartazes, por volta das 6h, antes do início do funcionamento do colégio. Após entrarem pelo portão principal, eles colocaram correntes e se trancaram com cadeados.
“Queremos ser ouvidos e esse foi o jeito que conseguimos. Ninguém ouve a gente por sermos adolescentes”, disse a estudante Lizantra Lima, de 15 anos, do primeiro ano do ensino médio.
Oito carros da Polícia Militar cercavam as entradas do colégio às 12h30. Os policiais não permitem a entrada ou aproximação de pessoas dos portões.
Segundo os estudantes, o protesto foi organizado após eles se encontrarem com um coordenador regional. Eles disseram à reportagem que a escola tem uma estrutura precária, como chão esburacado e banheiros sem vasos sanitários.
Os estudantes afirmam que vão ficar no local até conseguirem negociar com integrantes do governo. Eles reclamam que os alunos do ensino fundamental do período vespertino e os estudantes do ensino médio noturno serão transferidos para outro colégio.
A Defensoria Pública está no local para tentar manter o diálogo entre os alunos e impedir que eles sejam levados para delegacia. Inicialmente, a polícia havia liberado a entrada e saída dos alunos da escola, mas, por volta das 11h50, a PM disse que não seja mais possível entrar ou sair.
OUTRO LADO
A secretaria estadual afirmou que a escola estadual Fernão Dias vai atender apenas alunos do ensino médio a partir de 2016. Hoje, há cerca de 213 alunos do ensino fundamental que serão migrados para a escola Goldofredo Furtado, a cerca de 1,5 km da escola atual. A pasta não confirma a mudança de alunos do ensino fundamental do período da tarde.
Sobre a reclamação dos alunos de que não foram ouvidos pela dirigente, a dirigente regional do centro-oeste, Rosangela Aparecida de Almeida Valim, afirmou que houve um encontro na última quinta (5) no qual foi explicado como seria o processo de reorganização dos ciclos e para onde os alunos seriam transferidos.
