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Estudo mostra que a variante Delta é mais transmissível do que a cepa original do coronavírus

Ao longo da última semana, Pelotas apresentou aumento de 24,1% de internações em leitos clínicos, entre suspeitos e confirmados. (Foto: Reprodução)

Um estudo que teve participação de pesquisadores ligados à Organização Mundial de Saúde (OMS) e ao Imperial College sugere que a variante Delta do coronavírus é a mais contagiosa entre todas as cepas já sequenciadas.

Os pesquisadores identificaram uma “clara vantagem competitiva” da cepa originária da Índia em comparação com as outras mutações da covid-19. De acordo com o estudo, a variante Delta tem transmissibilidade 97% maior do que a cepa original do coronavírus, que teve origem na China.

“Também comparamos os números de reprodução efetiva dessa variante com cada uma, a fim de estimar a natureza do crescimento competitivo futuro entre elas. Dessa forma, a variante delta tem uma taxa de transmissão 55% maior do que a Alpha, 60% em comparação com a Beta e 34% com a variante Gamma”, explica um trecho da pesquisa.

O chefe da infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alexandre Naime, explicou quais sãos as reais consequências de um vírus com maior poder de transmissão.

“É um vírus totalmente adaptado, que é transmitido de forma rápida, e provavelmente vai substituir todas as outras variantes em um curto período de tempo. Vamos ter mais casos de covid-19 por conta da variante Delta, caso a gente não melhore as medidas sanitárias e aumente a velocidade da vacinação”, destacou o médico.

Alexandre Naime disse, todavia, que as vacinas já desenvolvidas contra covid-19 são eficazes contra a variante indiana.

“Não sabemos se a variante Delta é mais virulenta do que as outras, se ela causa quadros mais graves nos pacientes que se contaminem com ela. E aparentemente não se perde o efeito das vacinas, todas os imunizantes têm uma boa eficácia contra a variante delta”, finalizou.

Brasil

Responsável por sequenciar amostras de coronavírus para a identificação de novas cepas, a Fiocruz foi fundamental nas confirmações dos primeiros casos no Brasil da variante Delta, inclusive daqueles em que o paciente evoluiu para óbito. Mas o que muitos não sabem é como funciona o momento logo após a identificação da cepa indiana em uma pessoa.

A virologista Marilda Siqueira é pesquisadora da Rede Genômica Fiocruz e do Ministério da Saúde e atuou na descoberta da variante Delta em pelo menos seis Estados, incluindo o Paraná, que concentra o maior número de mortes no País até o momento.

A pesquisadora explica que o processo de comunicação para alertar que a variante foi confirmada precisa ser muito rápida.

“Ao identificarmos, nós imediatamente conferimos o sequenciamento, revisamos com calma, pegamos a ficha do paciente e já comunicamos ao Ministério da Saúde e ao Laboratório Central de Saúde Pública do estado de origem da pessoa. Comunicamos na hora”, esclarece a pesquisadora da Fiocruz.

Feito todo o protocolo nacional de comunicação, a Secretaria Municipal de Saúde da cidade onde o caso é identificado inicia a busca pelo paciente. Assim que ele é encontrado, passa por uma entrevista para saber com quem teve contato da família, amigos e pessoas aleatórias, inclusive sobre os locais que frequentou nas últimas semanas.

Além da comunicação célere e da identificação de quais pessoas podem ter sido contaminadas, quando um caso positivo de nova variante é verificado, há reuniões semanais entre o Ministério da Saúde, a instituição responsável pelo sequenciamento genético, os Laboratórios Centrais de Saúde Pública/LACEN e as secretarias Estadual e Municipal de Saúde de origem do paciente positivado.

Em nota, o Ministério da Saúde explicou como o processo de identificação e comunicação da variante. A pasta confirmou que são realizadas amostragens dos resultados positivos de RT-PCR aptos para envio de sequenciamento genômico, pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN’S) dos Estados.

“Os resultados sequenciados são notificados imediatamente aos CIEVS locais e nacionais para que possam ser investigados e as medidas de prevenção e controle possam ser adotadas”, informa trecho da nota.

O Ministério reforça que tem orientado Estados e municípios sobre todas as ações necessárias, como intensificar o sequenciamento genômico das amostras positivas para a covid-19 e a vigilância laboratorial, rastreamento de contatos, isolamento de casos suspeitos e confirmados, notificação imediata e medidas de prevenção em áreas de suspeita de circulação de variantes.

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