Sessenta eurodeputados de quinze países pediram aos membros da UE (União Europeia), em carta aberta, que não participem da Copa do Mundo na Rússia, por considerar que suas presenças fortaleceriam “o caminho autoritário e anti-ocidental” do presidente russo Vladimir Putin.
Os deputados, de diferentes grupos parlamentares, pediram para se juntar ao Reino Unido, que, após o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal,disse que não haverá representação britânica por parte da realeza nem dignitários no Mundial, e o governo da Islândia, que também não enviará representantes para a competição.
De acordo com a edição de sexta-feira do jornal alemão Bild, os europarlamentares estão empenhados em “levantar a voz em favor da proteção dos direitos humanos, dos valores democráticos e da paz”. Eles afirmaram que o ataque contra Skripal na cidade inglesa de Salisbury é apenas o “último episódio na contínua zombaria” de Putin aos valores europeus.
“Bombardeios indiscriminados a escolas, hospitais e áreas civis na Síria, invasão militar da Ucrânia pela força, pirataria sistemática, campanhas de desinformação, interferência em eleições, tentativas de desestabilizar a nossa sociedade e debilitar e dividir a UE… Tudo isto transforma a Rússia em um anfitrião pouco apropriado para o Mundial”, denunciam.
Os eurodeputados acreditam que o esporte pode contribuir para suspender “pontes metafóricas”, mas ressaltaram que enquanto Putin seguir destruindo “pontes reais na Síria” não se pode pretender que o Mundial da Rússia seja um evento esportivo.
“Enquanto Putin seguir ocupando a Crimeia ilegalmente, mantendo presos políticos na Ucrânia e apoiando a guerra no leste da Ucrânia, não podemos fingir que o anfitrião deste torneio é um amável vizinho”, advertem os parlamentares, que denunciaram “ameaças” a opositores e jornalistas.
Eles recordam ainda que apenas três dias após o término dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, Putin invadiu a Ucrânia – por isso, dizem, desta vez é preciso parar de incentivar “as graves violações aos direitos humanos” que a Rússia comete.
Inauguração
O sábado foi marcado na Rússia pela inauguração de mais dois estádios que receberão a Copa do Mundo. Agora, das 12 arenas que serão usadas a partir de 14 de junho, 11 estão prontas. Os estádios inaugurados, em Saransk e Volgogrado, não receberão partidas da seleção brasileira.
A Arena de Volgogrado, com capacidade para 45,6 mil espectadores, recebeu 20 mil para o primeiro jogo-teste. A partida válida pela segunda divisão da Rússia acabou em 4 a 2 para a equipe local, o Rotor, contra o Luch, de Vladivostok. O estádio receberá ainda mais dois jogos-testes até o Mundial.
Em Saransk, a Arena Mordovia, que tem capacidade para 44 mil torcedores, recebeu 13 mil para partida da terceira divisão nacional. O FC Mordovia ficou no 0 a 0 com o Zenit Ijevsk. O estádio também passará por mais dois jogos-testes.
O último estádio a abrir as portas será o de Samara, em 28 de abril. O Brasil jogará no local nas oitavas de final caso se classifique em primeiro na sua chave. Se ficar em segundo, só jogará na cidade se passar às quartas de final.
