A dose mais alta do Wegovy (medicamento destinado a pacientes com obesidade e cujo princípio ativo é a semaglutida), de 7,2 mg, foi aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). O valor é três vezes superior à maior dose disponível até agora (2,4 mg). Já o Ozempic (semaglutida destinada a pacientes com diabete) continua com a dose de 2,4 mg como a mais elevada.
Os estudos feitos pela Novo Nordisk, fabricante do medicamento, com a dosagem mais alta mostraram que houve uma perda de peso média de 21% entre os voluntários que usaram o medicamento conforme as orientações, sendo que cerca de um em cada três deles perdeu 25% ou mais do seu peso corporal.
Essa redução de peso média é semelhante à promovida pelo Mounjaro (que tem a tirzepatida como princípio ativo) de 15 mg, compara o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, o que ele considera “excelente”. “Os estudos não são comparativos, então nós estamos fazendo uma inferência indireta”, pondera o médico, que é pesquisador na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) de Ribeirão Preto.
A Novo Nordisk agora aguarda da Anvisa, no Brasil, e da Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, a liberação da dose de 7,2 mg do Wegovy, mas não há previsão de aprovação.
A dose semanal de 7,2 mg da injeção de Wegovy aprovada na Europa é destinada a adultos que vivem com obesidade (IMC maior que 30 kg/m²). Os médicos na União Europeia (UE) agora podem prescrever três injeções de 2,4 mg, a serem tomadas de uma só vez, para chegar a essa maior dosagem. A farmacêutica aguarda a aprovação de uma caneta de dose única de 7,2 mg na UE e, se liberada, ela poderá estar disponível ainda neste ano. “Isso dá aos médicos outra opção para ajudar os adultos que precisam perder mais peso após tomarem a dose de 2,4 mg”, afirma a Novo Nordisk.
Os adultos com obesidade que tiverem indicação médica para aumentar a dose para 7,2 mg devem usar a versão de 2,4 mg por pelo menos quatro semanas.
Para o endocrinologista Clayton Macedo, do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o uso de 7,2 mg deve ser considerado para intensificar o tratamento da obesidade em pacientes que tiveram uma resposta parcial com a dosagem de 2,4 mg ou com uma obesidade grave, com IMC acima de 40 kg/m² e que precisam de uma perda de peso muito significativa.
“Nunca deve ser utilizado em pacientes com IMC normal, para quem quer emagrecimento cosmético estético”, ressalta o médico, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). “É uma ferramenta poderosa a mais, mas ela exige cuidado e indicação precisa.”
Macedo destaca que a perda de massa muscular foi menor que o esperado – 84% do peso perdido foi de massa gorda. “Isso é um adicional que nos deixa um pouco mais tranquilos (de prescrever a dosagem mais alta)”, afirma.
Couri esperava que a dose de 7,2 mg não fosse bem tolerada por causa dos efeitos colaterais gastrointestinais, como náusea, vômito, constipação, diarreia e perda do apetite – os mais comuns na prática clínica. No entanto, a pesquisa mostrou que, com a dose mais alta, esses sintomas foram apenas um pouco mais prevalentes em comparação aos observados com 2,4 mg. “Em torno de 10% a mais ( de efeitos colaterais), pelo que comparei dos estudos, mas nada que impeça o seu uso”, avalia Macedo.
Couri destaca ainda que esse trabalho recente não foi de longa duração, então não dá para falar da probabilidade de pancreatite e de efeitos colaterais desconhecidos.
Ainda que os resultados sejam animadores, os médicos ressaltam a importância do tratamento crônico e do acompanhamento especializado. “Se um paciente iniciar com a dose mais elevada, de 7,2 mg, ele atinge um platô de redução de peso em torno de 21%. Fazer a redução de dose vai trazer reganho de peso. Então, não deve haver mudança (no regime de tratamento) sem acompanhamento médico”, avalia Couri.
A Novo Nordisk realizou dois estudos clínicos, o STEP UP (com 1.407 participantes) e o STEP UP T2D (512 participantes), com adultos com obesidade, sem e com diabete tipo 2, respectivamente. Eles foram projetados para avaliar a eficácia e a segurança da semaglutida semanal 7,2 mg em comparação ao placebo e à semaglutida 2,4 mg, como adjuvante da intervenção em estilo de vida. Os participantes tomaram a dose de 7,2 mg uma vez por semana, durante 72 semanas.
Em média, os participantes com obesidade, sem diabete, que utilizaram Wegovy 7,2 mg tiveram esses resultados: 21% de perda de peso corporal quando todos tomaram o medicamento conforme o planeado, em comparação com cerca de 2% de perda de peso para aqueles que usaram placebo.
Cerca de uma em cada três pessoas perdeu 25% ou mais do seu peso corporal e a composição corporal melhorou, com a maioria da perda de peso proveniente da massa gorda (84%), com testes mostrando preservação do funcionamento muscular.
Já os efeitos colaterais mais comuns relatados foram náusea, diarreia, vômito e disestesia. Esses eventos foram geralmente leves a moderados e transitórios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
