Suspeito de fazer parte do esquema de supostos desvios de contratos de assistência social no Estado do Rio, o delegado aposentado Mario Jamil Chadud tentou obstruir a investigação contra Cristiane Brasil e Pedro Fernandes, também alvos da segunda fase da Operação Catarata. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ainda durante a primeira fase da operação, Chadud retirou do local uma série de documentos, computadores e R$ 100 mil em espécie, que estavam em um cofre, da sede da Servlog Rio. A empresa pertence ao seu filho, Flavio Salomão Chadud, e à nora, Marcelle Chadud, e está localizada no Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
“Acreditamos que a operação daquele dia, assim como esta, tenha vazado. Por isso, nesta segunda fase, pedimos o apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Uma hora antes da operação do ano passado, o Mário chegou ao local tranquilamente pegou todo o material, colocou no carro do Flávio e foi embora. Foi uma situação inusitada. Não bastasse, logo em seguida voltou ao local e ficou de longe acompanhando as buscas”, disse um dos promotores do caso, Cláudio Calo, que instaurou um inquérito para apurar o vazamento de informação da primeira fase.
Pai e filho foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, fraudes licitatórias, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais, além do crime de embaraçar investigação de organização criminosa. O MPRJ e a Polícia Civil cumpriram mandados de prisão contra a dupla, além de Pedro Fernandes, Cristiane Brasil e o ex-diretor de administração financeira da Fundação Leão XIII João Marcos Borges Mattos.
A denúncia oferecida pelo MPRJ baseou-se em diversos depoimentos de testemunhas, de servidores públicos e de investigados, na confissão de investigado, em inúmeras mensagens telefônicas, planilhas, cadernos de anotações contendo escrituração de distribuição de propinas, apreendidos na 1ª fase da operação, extratos bancários, e-mails e imagens obtidas de câmeras de vigilância.
O esquema
A Operação Catarata investiga supostos desvios em contratos de assistência social, entre os anos 2013 e de 2018. O Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil informam que o esquema pode ter desviado entre R$ 15 e R$ 32 milhões dos cofres públicos. O secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes, foi preso na manhã da sexta-feira (11). Agentes estiveram na casa dele, num condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ele apresentou aos policiais um exame que mostra estar com Covid-19 e, por isso, ficará em prisão domiciliar.
A ex-deputada Cristiane Brasil também teve a prisão decretada e é procurada. Agentes foram ao prédio onde ela mora, em Copacabana, mas não a encontraram. As buscas continuam. Outras três pessoas foram presas.
Em agosto, O GLOBO revelou que Pedro Fernandes era apontado em relatório da Polícia Civil como suspeito de receber propina em contratos da Fundação Leão XIII, em inquérito sobre fraudes em serviços realizados entre 2015 e 2018 e envolveriam o programa Novo Olhar, que oferece exames de vista e óculos a alunos da rede estadual. Os contratos investigados foram firmados entre 2013 e 2018 e custaram quase R$ 120 milhões aos cofres públicos. De acordo com o MP, sobre os serviços contratados eram cobradas vantagens indevidas.