O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa chegou à sede da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR) na manhã desta segunda-feira (22), em um carro da corporação, para a acareação com o doleiro Alberto Youssef. Logo em seguida, os investigadores iniciaram os depoimentos.
Ambos são acusados de participação no esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras, descoberto pela Operação Lava-Jato. O objetivo, conforme os advogados, é contrapor pontos “conflitantes” das delações premiadas. “Existem alguns pontos conflitantes, não chegam a ser contraditórios”, disse um dos advogados que representa o doleiro, Tracy Reinaldet. Segundo a defesa, as principais questões estão relacionadas à operacionalização de pagamentos de propina para políticos. “O Paulo Roberto Costa diz que foi o Youssef que operacionalizou, e o Youssef diz que não foi ele. Ele não nega a existência dos pagamentos, mas contesta a operacionalização”, explicou Reinaldet.
Um dos casos que devem ser abordados na acareação é o suposto pedido de 2 milhões de reais oriundos do esquema de corrupção feito pelo ex-ministro Antonio Palocci para financiar a campanha da presidenta Dilma Rousseff em 2010. O caso é alvo de inquérito na Polícia Federal. Costa, em depoimento, afirma ter sido procurado por Palocci para que o montante fosse liberado para a campanha presidencial de Dilma. O dinheiro, segundo o ex-diretor, viria do “caixa do PP” – isto é, a cota destinada ao Partido Progressista no esquema.
Ainda segundo o depoimento de Costa, a solicitação do dinheiro foi feita por Youssef, que era responsável pela operacionalização financeira do esquema. O fato, porém, é negado por Youssef. Também em delação premiada, o doleiro, que está preso na carceragem da PF em Curitiba desde março de 2014, afirmou que não operacionalizou nada a esse respeito.
Costa está em prisão domiciliar no Rio e chegou a Curitiba neste domingo, escoltado pela PF. Ele deve permanecer na capital paranaense pelo menos até terça-feira (23), já que foi arrolado como testemunha de acusação em audiências de dois processos da Lava-Jato. (AG)
Paulo Roberto Costa cumpre prisão domiciliar no Rio e chegou a Curitiba neste domingo (Foto: Alan Marques/Folhapress)
