Em prisão domiciliar e monitorado por tornozeleira eletrônica desde que deixou a carceragem da PF (Polícia Federal) em setembro do ano passado, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa enfrenta dias de cansaço. O primeiro delator do esquema de corrupção na estatal já prestou 118 depoimentos desde 29 de agosto do ano passado, quando começou a contar o que sabia. É como se tivesse prestado um depoimento a cada três dias.
“Essa rotina é um saco, ele está extenuado”, disse o advogado de defesa João Mestieri. “Eu ainda quero ver se consigo livrá-lo da tornozeleira, negociar um outro tipo de controle. O dispositivo é muito incômodo e machuca.”
A prisão domiciliar do executivo faz parte da colaboração firmada com o MPF (Ministério Público Federal) e homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Mulher, filhas e genros também aderiram ao acordo.
Cumprimento da pena
Os depoimentos de Costa não têm data para terminar. Em abril, ele foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Na semana passada, veio a segunda sentença (12 anos), referente a corrupção e lavagem de dinheiro no processo referente à Camargo Corrêa. O primeiro ano de prisão será cumprido em regime domiciliar. Já nos restantes, o apenado poderá obter a progressão para o semi-aberto. (AE)
