O ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco Filho, delator na Operação Lava-Jato, disse em interrogatório para o juiz Sérgio Moro que o pagamento de propina por empresas que tinham contato com a estatal “era para manter status quo”, porque se tratava de “uma sistemática que existia e se aprofundou”. A declaração foi feita durante depoimento na Justiça Federal de Curitiba (PR). Outros dois delatores também foram ouvidos pelo magistrado, os irmãos Milton e José Adolfo Pascowitch.
Questionado por Moro o motivo de empresas pagarem propinas, Barusco afirmou que “era uma sistemática que existia e se aprofundou, virou um modus operandi, uma coisa normal”. No depoimento, o delator voltou a relatar percentuais de propina que eram destinados a ele, ao chefe, Renato Duque e ao PT, com intermédio do tesoureiro do partido João Vaccari Neto.
Segundo ele, 2% de cada contrato com as grandes empresas envolvidas no cartel era destinados para propina, sendo 1% alocados na diretoria de serviços e 1% na diretoria de abastecimento, comandada pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, que também fechou acordo de delação premiada. Dos 1%, 0,5% era para o PT e 0,5% ao que era chamado de casa, repartido internamente entre Duque e Barusco.
O delator ainda afirmou que o ex-tesoureiro João Vaccari Neto era o responsável por gerenciar a propina pelo partido. (Folhapress)
