Ícone do site Jornal O Sul

Ex-ministro do Supremo tentará união de Joaquim Barbosa e Marina

A dificuldade é que, em encontros anteriores, nenhum dos dois concordou em ser vice do outro. (Fotos: Reprodução)

A possibilidade de uma chapa que unisse Joaquim Barbosa (PSB) e Marina Silva (Rede) segue no radar de apoiadores de ambos. O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto decidiu promover novo encontro entre os dois para tentar viabilizar um entendimento.

A dificuldade é que, em encontros anteriores, nenhum dos dois concordou em ser vice do outro. Os dois têm razões para acreditar que devem estar na cabeça de chapa. Marina tem 15% nas pesquisas enquanto Barbosa chega a 10%. Ele, no entanto, incorpora o “novo”. E conta com estrutura partidária mais sólida do que a dela.

Com apenas dois deputados em seu partido, a Rede, Marina nem sequer é presença garantida nos debates de televisão — pela lei, as emissoras são obrigadas a convidar apenas candidatos de partidos que tenham no mínimo cinco deputados federais. O tempo de propaganda da Rede também será mínimo. O PSB tem 26 deputados federais e quatro governos estaduais: Paraíba, Pernambuco, Distrito Federal e SP.

Candidatura até 15 de maio

O PSB convenceu o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa a se lançar pré-candidato à Presidência até 15 de maio. O principal argumento foi o de que, a partir desta data, pré-candidatos poderão arrecadar dinheiro para a campanha por meio de financiamento coletivo (“crowdfunding”), chamado de “vaquinha virtual”.

Barbosa se filiou ao PSB em 6 de abril. Embora sua pré-candidatura seja dada como certa nos bastidores, ele resistia a oficializá-la para evitar ataques. Segundo interlocutores no PSB, o ex-ministro queria esperar esfriarem discussões de temas polêmicos para não ter de se pronunciar sobre, por exemplo, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso na Lava-Jato, que o indicou para o STF em 2002. “Conseguimos convencê-lo de que tem de ser antes do dia 15. Acredito que vai ser entre a última semana de abril e a primeira de maio”, afirmou o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG), um dos principais envolvidos na negociação com o ex-ministro.

Resoluções do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovadas em dezembro estabelecem que partidos poderão arrecadar via crowdfunding antes da campanha. As doações de pessoas físicas poderão ser feitas por meio de cartão de crédito, cheque, boleto ou transferência bancária. Os recursos, porém, só poderão ser utilizados após o registro da candidatura. Caso o pré-candidato desista da disputa, o dinheiro tem de ser devolvido.

Líderes do PSB já têm conversas adiantadas com o publicitário Roberto Meira, que criou uma companhia focada em crowdfunding para campanhas. “Por apelo popular, sem dúvida Joaquim Barbosa e (Jair) Bolsonaro são os que mais têm potencial de arrecadação”, afirmou. No PSB, a expectativa é arrecadar montante próximo do teto de gastos para candidatos ao Planalto, fixado pelo TSE em R$ 70 milhões para o primeiro turno.

 

 

Sair da versão mobile