A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), apontada como um dos principais nomes cotados para ocupar a vaga de vice na chapa do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), cumpriu nesta semana uma série de agendas com representantes do mercado financeiro na região da Faria Lima, em São Paulo. Durante os encontros, a economista buscou apresentar a visão econômica do grupo político ligado ao senador e defender a viabilidade da pré-candidatura do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo relatos de participantes das reuniões, Daniella procurou transmitir a avaliação de que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro teria condições de enfrentar os desafios fiscais do País e implementar medidas voltadas ao controle das contas públicas. Nas conversas, argumentou que o projeto defendido pelo grupo político seria capaz de superar os “riscos fiscais” que, segundo ela, foram deixados pela atual administração federal.
A abordagem econômica apresentada pela ex-presidente da Caixa foi considerada alinhada às expectativas de parte do mercado financeiro. Entre os principais pontos discutidos estiveram a necessidade de maior disciplina fiscal, redução de despesas públicas e medidas voltadas ao enxugamento da máquina administrativa. Esses temas costumam figurar entre as principais demandas defendidas por agentes do setor financeiro.
Como resumiu um dos executivos que participaram dos encontros, a avaliação sobre Daniella foi positiva, mas a percepção em relação ao pré-candidato ainda representa um desafio. “Sem dúvida, ela tem muita credibilidade e agrega. O problema não é ela, mas o pré-candidato”, afirmou o interlocutor.
Ao longo da semana, Daniella Marques passou por pelo menos três instituições financeiras — Itaú, BTG Pactual e XP Investimentos —, além de participar de uma reunião com integrantes da Eurasia Group, consultoria especializada em análise de risco político e econômico. Os encontros fizeram parte de uma agenda voltada à apresentação das diretrizes econômicas defendidas pela equipe ligada à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
De acordo com relatos de pessoas presentes, a economista destacou que a atual taxa de juros figura entre os principais obstáculos para o crescimento da economia brasileira. Na avaliação apresentada aos executivos, seria necessário combinar medidas de redução de gastos públicos com ações que contribuam para melhorar o ambiente fiscal, criando condições para a queda dos juros ao longo do tempo.
Outro participante dos encontros afirmou que um dos pontos mais enfatizados por Daniella foi o desempenho de Flávio Bolsonaro em pesquisas recentes de intenção de voto. Segundo esse interlocutor, a economista destacou levantamentos que indicam empate técnico entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na percepção desse participante, a estratégia buscou transmitir ao mercado a mensagem de que a disputa eleitoral permanece aberta e que o setor financeiro não deveria “desistir” da possibilidade de uma alternância de governo.
A agenda de Daniella Marques na Faria Lima ocorreu poucos dias após o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli também participar de encontros com representantes do mercado financeiro. Na ocasião, Gabrielli defendeu uma política de caráter desenvolvimentista, ao mesmo tempo em que reconheceu a importância do controle dos gastos públicos, posicionamento que repercutiu entre investidores e executivos do setor. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S.Paulo)
