Alguns dos condenados pela Operação Lava-Jato que já estiveram presos no âmbito da Operação Lava-Jato acreditam que, em pouco tempo, o ex-presidente Lula não suportará a solidão em seu isolamento na sala especial da Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR). Na noite do próximo sábado, ele completará duas semanas na cadeia.
Na ocasião, o líder petista chegou de avião à capital paraense após se entregar à PF em São Paulo, mais de um dia após o vencimento do prazo estabelecido pelo juiz federal Sérgio Moro para que se entregasse, às 17h da sexta-feira.
Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S.Paulo”, uma dessas fontes (ouvidas em “off”, ou seja, sob a condição de que a sua identidade seja mantida em sigilo) relata que, ao chegar à prisão, entrou em depressão, até que outros presos começaram a comentar a novela e a oferecer chocolates. “Com isso, a cabeça até aguenta”, afirma o ex-detento.
Na opinião de alguns dos mesmos condenados, Lula demorará a entender que talvez fique um bom tempo preso. Segundo eles, essa será a fase mais difícil da prisão, pois todos os que entram no sistema acreditam que podem sair dele em curto espaço de tempo.
Ainda não se sabe se, futuramente, Lula cumprirá toda a sua sentença determinada pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região): de qualquer forma, a previsão é de 12 anos e um mês em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo se relaciona ao triplex do Guaruja (SP).
Recurso
O vice-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Humberto Martins, determinou nessa quinta-feira o envio para o STF (Supremo Tribunal Federal) de um recurso de Lula contra decisão da 5ª Turma do STJ que negou, em março, um pedido de liberdade (mediante habeas corpus preventivo) contra a decretação de sua prisão na Lava-Jato. Com a decisão, o caso poderá ser novamente analisado pelo STF.
A defesa havia apelado ao STJ, pedindo que ele não fosse preso após a conclusão do julgamento de seu processo em segunda instância pelo TRF-4, mas o recurso foi negado. Contra essa primeira negativa, os advogados do petista apresentaram uma ação de habeas corpus ao STF, também foi rejeitada. Agora, a defesa apresenta um novo recurso contra o STJ, e que deverá ser analisado pelo Supremo.
No dia 6 de abril, um dia antes de Lula se entregar, após uma tentativa sem sucesso no STJ, os advogados do petista recorreram ao STF para tentar derrubar a ordem de prisão. O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo, também rejeitou o recurso.
Um dia antes de Moro decretar a prisão, o habeas corpus preventivo do ex-presidente foi negado pelo STF por um placar de 6 votos a 5 contra o petista, em julgamento que entrou pela madrugada após mais de 11 horas de sessão.
A defesa contava com a mudança de posição do ministro Gilmar Mendes sobre a prisão em segunda instância para ter sucesso mas, apesar de o magistrado ter mudado de posição, o voto da ministra Rosa Weber surpreendeu e manteve o placar contra o pedido da defesa.
Em seu voto, Rosa afirmou que apesar de pessoalmente ser contra a prisão em segunda instância, iria adotar no julgamento a posição firmada pela maioria do STF em três decisões de 2016, como forma de manter a segurança jurídica nas decisões do Tribunal.