O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira disse, em depoimento, que recebeu pagamentos de empreiteiras porque fornecia “cestas de Natal” para essas empresas. Preso na Operação Lava-Jato na sexta-feira (01), Silvio é suspeito de receber cerca de R$ 500 mil de construtoras como forma de comprar seu silêncio. Ele foi investigado no processo do mensalão, mas não virou réu na ocasião porque tinha firmado um acordo com o Ministério Público Federal.
Em depoimento nesta segunda-feira (04), Silvio se apresentou aos investigadores como “cozinheiro” e disse que vendeu um “pacote promocional” de cestas para a empreiteira OAS presentear clientes e funcionários, que custava cerca de R$ 80 mil.
O ex-secretário afirmou ainda que recebeu R$ 35,7 mil em 2011 da construtora UTC, também para fornecer cestas de Natal. Silvinho, como é conhecido, não explicou vários dos outros pagamentos recebidos.
Os investigadores questionaram sobre uma mensagem de 2011 em que o empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, perguntava a ele sobre uma “proposta”. O ex-secretário petista respondeu que o assunto referia-se a um projeto de “revista de culinária” e negou que tenha sido um “cala-boca”.
Ele contou ainda que fez um trabalho de “monitoramento eleitoral” para o executivo Augusto Mendonça, réu em ações da Lava-Jato, e que pelo serviço ganhou R$ 154 mil em 2010. Duas empresas do ex-secretário receberam ao menos R$ 2 milhões de campanhas eleitorais de candidatos petistas a partir de 2008.
Ele disse que alugou carros de som para a campanha do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em 2012, por R$ 250 mil, e que promovia eventos em seu restaurante. (Folhapress)
