O ex-vereador de Porto Alegre Gilvani Dall Oglio, conhecido como “Gilvani, o Gringo”, foi preso preventivamente na manhã dessa sexta-feira (18), durante operação da Polícia Civil que apura suspeitas de fraude em licitações de serviços públicos. Agentes também cumpriram nove ordens de busca e apreensão, quatro das quais em endereços ligados a familiares do investigado.
A ofensiva foi coordenada pelo delegado Augusto Zenon, do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap).
De acordo com a investigação, Gilvani seria o responsável por estruturar esquema que utilizava mais de uma empresa para participar de disputa por contratos, O objetivo era direcionar a escolha. Dentre as suspeitas está a de que parte dessas firmas esteve registrada em nome de terceiros, atuando como “laranjas”.
São ao menos seis contratos sob análise e que envolvem serviços como desobstrução de redes pluviais e de esgoto, hidrojateamento, transporte e destinação de resíduos. A soma dos valores licitados é superior R$ 2,5 milhões. Conforme a Polícia Civil, até o momento não há indícios de participação de funcionários públicos nos crimes.
Mandato cassado
Gilvani Dall Oglio, do partido Republicanos, teve o mandato cassado pelos colegas em dezembro de 2025, ficando também inelegível por oito anos. Motivo: quebra de decoro parlamentar. Na ocasião, 26 parlamentares municipais votaram pela perda do cargo, enquanto três se posicionaram contra. Outros quatro se abstiveram.
A decisão teve por base a constatação de que o então vereador mantinha controle sobre uma empresa contratada pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). De acordo com a Comissão de Ética do Legislativo da capital gaúcha, trata-se de prática que viola a Lei Orgânica do Município.
Nascido em Sarandi (Noroeste do Estado), ele atuava como empresário quando foi eleito para seu primeiro mandato como vereador de Porto Alegre, em 2024, com 7.891 votos. A experiência foi curta mas garantiu relativa notoriedade e algumas polêmicas: ao “fiscalizar” o funcionanento de postos de saúde da rede municipal, foi acusado de expor médicos de forma indevida e de invadir unidades.
Durante a CPI do DMAE, no ano passado, relatou denúncias de corrupção na Capital, incluindo pagamento de R$ 21 milhões em propinas. O então vereador chego a declarar que a privatização do órgão era um “caso de polícia”.
(Marcello Campos)
