Júri popular realizado em Santo Antônio da Patrulha (Litoral Norte) condenou a mais de 24 anos de prisão em regime inicial fechado o executor da morte de um empresário mineiro atraído ao Rio Grande do Sul por um parceiro de negócios no segmento de veículos usados. A emboscada foi cometida em 2 de junho de 2023, conforme noticiado na época pelo jornal “O Sul”.
A pena levou em conta as imputações de homicídio qualificado (motivo torpe, para assegurar a impunidade de outro delito e recurso que dificultou a defesa da vítima), ocultação de cadáver, porte e posse ilegal de arma-de-fogo. Ele já estava preso e não poderá recorrer em liberdade.
Já um outro réu foi absolvido da acusação de homicídio, a pedido do próprio Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Mas terá que cumprir um ano de prisão em regime aberto, por participação na ocultação do corpo da vítima.
A sessão no tribunal foi presidida pelo juiz Rafael Gomes Cipriani Silva, da 1ª Vara Judicial da Comarca do município. Foram ouvidas quatro testemunhas e os acusados, em interrogatório. Atuaram pela acusação os promotores Claudio Rodrigues Araújo e Leonardo Giardin de Souza, além dos advogados-assistentes Daniel Kessler de Oliveira, Eduardo Bohn Martins e Luciano Iob. A defesa, por sua vez, esteve a cargo de Ariel Garcia Leite, Caroline Molin de Andrade, Isaac Henrique da Silva Mello e Jean de Menezes Severo.
Relembre o caso
Samuel Eberth de Melo, 41 anos, era dono de uma revenda de veículos em Contagem (MG) e estava no Rio Grande do Sul em junho de 2023, como credor de uma dívida de R$ 5 milhões. O montante era relativo a 44 automóveis que enviara a um parceiro comercial gaúcho, sem receber os devidos pagamentos.
Ele desapareceu no dia 2 daquele mês, após fazer em Novo Hamburgo (Vale do Sinos) um último contato telefônico com familiares em Minas Gerais. Seu corpo acabou encontrado mais de uma semana depois, em área de mata próxima a Santo Antônio da Patrulha.
Além do monitoramento dos sinais emitidos pelo celular de Samuel, foi determinante para a localização do cadáver a ajuda de um cão farejador: o animal latiu ao deparar com os óculos da vítima nas imediações do perímetro de busca. O corpo estava coberto por folhas, telhas e outros objetos – segundo a Polícia Civil, os algozes não teriam conseguido enterrá-lo totalmente, devido ao solo do local ser mais duro do que esperavam.
A perícia confirmou como causa da morte uma série de tiros na cabeça, tórax, abdômen e braço. O empresário – identificado por exame impressões digitais – deixou noiva e três filhos.
Atuaram nas buscas – ao longo de sete dias – equipes da Brigada Militar (BM), Corpo de Bombeiros Militar (CBM) e Instituto-Geral de Perícias (IGP). Esse trabalho conjunto entre as forças de segurança do Rio Grande do Sul foi considerado fundamental pelas autoridades na elucidação do crime.
Rastros e contradições
Durante a apuração, os investigadores encontraram vestígios de sangue em veículos, mensagens suspeitas em celulares e munições compatíveis com a pistola calibre 380 utilizada na execução. As investigações indicaram que os acusados teriam agido com divisão prévia de tarefas, incluindo a aquisição de ferramentas e materiais para a ocultação do corpo, evidenciando também a premeditação do crime.
O primeiro a ser ouvido pelos investigadores foi o parceiro comercial gaúcho da vítima. Contradições no depoimento motivaram uma ordem de prisão temporária, dois dias depois do desaparecimento de Samuel, medida posteriormente convertida em preventiva. Também pesou contra ele o fato de ter comprado lonas, pás e outros itens compatíveis com as ferramentas necessárias para enterrar o corpo.
(Marcello Campos)
