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Falso médico atendeu mais de três mil pessoas em ala de coronavírus no Rio de Janeiro

Falso médico chegou a ser vacinado contra a covid no lugar de outro profissional. (Foto: Reprodução)

O falso médico Itamberg Oliveira Saldanha, de 31 anos, estava trabalhando na ala com pacientes com covid-19 quando os investigadores chegaram na UPA de Realengo, na zona oeste do Rio. Além de trabalhar, ele chegou a ser vacinado contra a doença. A apuração é do jornal Extra. Segundo a Polícia Civil, o falso médico pode ter feito mais de 3 mil atendimentos, média de 70 atendimentos por plantão, desde janeiro deste ano. Ele ganhou cerca de 100 mil reais contando os salários. Na investigação, os policiais encontraram um atestado de óbito, assinado por Itamberg.

Itamberg usava um carimbo com os dados do médico Álvaro Pereira de Carvalho. Foi o verdadeiro médico quem procurou a polícia, alegando que seu nome e CRM estavam sendo usados por outra pessoa. Álvaro descobriu a farsa quando tentou ser imunizado, mas descobriu que seu nome já constava na lista de pessoas que tinham recebido uma dose contra a covid-19.

Em conversa informal com os policias, Itamberg confessou que não era médico, mas que estudou medicina na Universidade Gama Filho até o 6º período, mas ficou sem dinheiro para concluir os estudos. Ele deve responder pelos crimes de tentativa de estelionato, falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão da medicina.

O Conselho Regional de Medicina informou, por nota, que casos de atuação de falsos médicos devem ser investigados pela polícia.

Atendimentos

O falso médico é suspeito de atender ao menos em quatro unidades de saúde do Rio. Além da UPA de Realengo, onde ele foi preso na terça-feira (18), a 12ª DP (Copacabana) teve informação de que Itamberg também trabalhava nas UPAs de Marechal Hermes, Ricardo de Albuquerque e Bangu.

Na terça, policiais da delegacia de Copacabana estiveram na unidade de saúde e prenderam em flagrante Itamberg, que foi contratado utilizando o nome e CRM de Álvaro. No bolso do suspeito, os agentes encontraram um carimbo com os dados do verdadeiro médico.

Segundo informações da Polícia Civil, Itamberg atendia na sala amarela, na ala de pacientes com covid-19. Segundo informações da polícia, Itamberg realizava uma média de 70 atendimentos por plantão.

A delegada titular da 12ª , Bianca Lima, afirma que ficou estarrecida com o fato de Itamberg estar trabalhando em uma ala para pacientes da covid.

“É uma doença na qual os pacientes podem ter quadros que evoluem muito mal e forma rápida. Então o tratamento precisa de um olhar bem especializado, técnico. É uma situação absurda”, analisa a delegada.

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