Uma das maiores tragédias do País completou 11 anos nesse sábado (27). O incêndio da Boate Kiss matou 242 pessoas e deixou 636 feridos no dia 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Em memória a cada uma das vítimas, familiares e amigos realizaram uma homenagem na cidade gaúcha. Durante a madrugada, houve uma caminhada e um ato simbólico no horário em que começou o sinistro.
Com o tema “Justiça e prevenção, para que nunca mais aconteça”, a programação iniciou na noite de sexta-feira (26) e continuou nesse sábado.
As atividades iniciaram com o acolhimento na Tenda da Vigília, montada na Praça Saldanha Marinho. Novamente, o local foi ponto de encontro para o público que, entre abraços e lágrimas, vivenciava mais um 27 de janeiro. Para a caminhada até o prédio onde funcionava a Boate Kiss, na Rua dos Andradas, 1.925, foram distribuídas máscaras – cada uma com uma frase de reflexão sobre a tragédia – para que os presentes usassem durante o trajeto. Ao chegarem ao local, as máscaras foram dispostas ao longo da fachada da edificação. O ato marcou a despedida das ruínas da boate que, em breve, dará lugar ao Memorial às Vítimas da Boate Kiss. O processo licitatório da obra está em andamento e tramita em prazo recursal de julgamento da habilitação das empresas concorrentes.
Em um segundo momento, o público foi convidado a pegar pares dos mais de 250 calçados, dispostos na entrada do estacionamento do Carrefour, para colocar na calçada da boate. Logo após, flores foram colocadas em cada par. Durante o ato representativo, pelas caixas de som ecoavam relatos de familiares de vítimas e músicas tocantes. A iniciativa foi promovida pelo Coletivo de Psicanálise de Santa Maria. Conforme a psicóloga e integrante do coletivo, Vanessa Solis, a proposta buscou gerar a sensação de pertencimento e memória sobre as cicatrizes de um trauma coletivo.
Perto das 2h30min desse sábado – que seria o horário aproximado em que o incêndio começou – o nome de cada uma das vítimas foi lido, seguido por um minuto de aplausos e um abraço coletivo, encerrando a vigília. No decorrer do dia, outras atividades e homenagens foram realizadas.
“Esse momento é de reunião e de pautar a prevenção e o quanto ela é necessária para valorizar a vida. É o primeiro ano que a gente tem na cidade a lei que foi aprovada no final do ano passado, coloca no calendário oficial do Município a Semana em Memória às Vítimas da Kiss. A Prefeitura ajudou a compor esse evento, trazendo alguns convidados bem importantes e que têm muito a nos ensinar e a gente muito a compartilhar da nossa experiência, especialmente diante da impunidade. Vamos debater a flexibilização da Lei Kiss, que é extremamente grave, e conversar com alguns sobreviventes sobre como eles estão onze anos depois. Também é um momento para a gente se fortalecer para o mês que vem, quando ocorre o novo júri”, comentou o presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Gabriel Rovadoschi.
No final de 2021 foi realizado julgamento dos quatro réus considerados culpados. Porém, a decisão foi anulada em 2022 e outro júri foi marcado para o dia 26 de fevereiro. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) junto da AVTSM entraram com um recurso para que ele seja cancelado.
As condenações de Elissandro Spohr, Mauro Hoffmann, Luciano Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos, com penas que vão de 18 a 22 anos e meio de prisão, perderam validade.
