A Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) afirmou que vê com preocupação a aprovação pelo Senado da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que extingue a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada no Brasil, ocorrida na noite de quarta-feira (14).
A entidade disse que “reconhece a importância de promover melhores condições de vida e bem-estar aos trabalhadores, mas defende que mudanças dessa magnitude sejam amplamente debatidas fora do período eleitoral e com os setores produtivos, considerando os impactos econômicos, operacionais e sociais envolvidos”.
Para o presidente da Fiergs, Claudio Bier, qualquer alteração na legislação trabalhista deve buscar o equilíbrio entre a valorização do trabalho e a preservação da competitividade das empresas. “A indústria acredita na construção de soluções que contribuam para a qualidade de vida dos trabalhadores, mas é fundamental que as mudanças sejam implementadas com responsabilidade, diálogo e avaliação técnica dos seus efeitos sobre a produtividade, os custos e a geração de empregos”, afirmou.
Na quarta, representantes da entidade estiveram em Brasília para alertar os senadores sobre os impactos da aprovação da PEC e acompanhar a votação. A proposta foi aprovada, em dois turnos, por 75 votos favoráveis e um contrário em ambos. Somente o senador gaúcho Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou contra.
A Fiergs destacou que a redução dos dias trabalhados, sem medidas que garantam ganhos equivalentes de produtividade, tende a elevar os custos de produção, especialmente em segmentos industriais que operam de forma contínua ou em múltiplos turnos. Entre os principais impactos, segundo a entidade, estão o aumento das despesas com pessoal, a necessidade de ampliação de equipes, a reorganização de escalas e possíveis reflexos sobre preços, investimentos e competitividade frente a mercados internacionais.
“A Fiergs defende que eventuais mudanças na jornada sejam discutidas no âmbito das negociações coletivas, respeitando as particularidades de cada setor econômico e das diferentes realidades regionais. A entidade reafirma seu compromisso com a modernização das relações de trabalho, a geração de empregos de qualidade e o fortalecimento da indústria brasileira, fatores essenciais para o crescimento econômico sustentável e para o desenvolvimento social do País”, concluiu a Federação.
