A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) vai encaminhar às autoridades competentes resultados de um levantamento que identificou inconformidades na classificação do arroz vendido aos consumidores. O estudo percorreu supermercados de seis estados brasileiros e revelou que 215 das 268 amostras de arroz Tipo 1 analisadas – 80,22% – apresentaram classificação inferior à declarada na embalagem. A seleção priorizou produtos que já apresentavam indícios visuais de desconformidade ou que estavam nas faixas de preço mais baixas das gôndolas pesquisadas. Para a direção da entidade, a prática pode configurar fraude ao consumidor e prejudicar empresas que comercializam produtos dentro dos padrões de classificação. Com os resultados em mãos, a Federarroz pretende encaminhar os casos aos órgãos competentes nas esferas administrativa, cível e penal, incluindo o Ministério da Agricultura e os Ministérios Públicos, conforme a competência de cada órgão. O presidente da entidade, Denis Dias Nunes, ressalta que o percentual não reflete a totalidade do arroz Tipo 1 comercializado no país, já que a seleção das amostras priorizou produtos com indícios prévios de desconformidade.
Fim do CRLV
Com um placar de 39 votos contrários e nenhum favorável, a Assembleia Legislativa derrubou ontem (25) o veto do Piratini ao projeto que acaba com a taxa de emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) no Rio Grande do Sul. Em sessão marcada pela ausência de nomes da base do governo Leite, os parlamentares garantiram a manutenção do projeto do deputado Rodrigo Lorenzoni (PP) que isenta os motoristas gaúchos do pagamento de R$ 114,09. A proposta revoga a tarifa sob o argumento de que a versão digital do documento, adotada desde 2019, extinguiu os custos de impressão por parte do Estado. Ao barrar a matéria anteriormente, o Executivo alegava inconstitucionalidade e alertava que a medida causaria um rombo de R$ 750 milhões aos cofres públicos, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Com a derrubada do bloqueio no plenário, a lei retorna ao governador para promulgação em até 48 horas, cabendo à presidência da Casa Legislativa assumir a tarefa caso o prazo não seja cumprido.
Monitoramento biométrico
A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa solicitará informações ao Executivo gaúcho sobre a implementação da Política Integrada de Gestão do Ambiente Escolar. A deliberação ocorreu nesta terça-feira (25), após o colegiado ouvir ressalvas do CPERS Sindicato e da direção da Escola Estadual Fernando Gomes, de Porto Alegre, sobre o monitoramento de estudantes e professores por reconhecimento facial. Preocupada com a privacidade e o compartilhamento de dados, a entidade sindical orientou as instituições a não preencherem nem encaminharem dados de reconhecimento facial – já que o decreto que instituiu a política não prevê expressamente o cadastro biométrico -, até que o governo estadual esclareça as regras de controle e rastreabilidade. Durante o encontro, os educadores também questionaram a real eficácia das câmeras instaladas apenas nos acessos como ferramenta efetiva de segurança para a comunidade escolar. Além do clima de vigilância constante, os gestores criticaram o engessamento burocrático exigido pelos sistemas digitais da medida, alertando para a sobrecarga dos profissionais e a consequente perda de autonomia pedagógica.
Realidade lésbica
Articulada pela deputada Laura Sito (PT), a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia conduz uma audiência pública nesta quarta-feira para debater a realidade da população lésbica no Estado. O encontro servirá de palco para a apresentação e a análise dos dados produzidos pelo levantamento do projeto “Lesbosenso”, iniciativa que reúne informações qualificadas sobre as condições de vida, as violações de direitos e os desafios enfrentados por essa população. A audiência espera utilizar esses dados como subsídio estrutural para a formulação de políticas públicas mais assertivas, assegurando a promoção da cidadania com base em evidências estatísticas. Para isso, o colegiado reunirá movimentos sociais, pesquisadoras e representantes do Poder Público em um esforço de construção coletiva.
Valorização docente
O Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS encaminhou ontem (24) às instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul um manifesto com posicionamentos e reivindicações focado na valorização dos professores. O documento consolida os debates do Seminário de Avaliação das Negociações Coletivas 2026, promovido no último sábado (22) em parceria com os sindicatos de Caxias do Sul e da região Noroeste. Realizado em formato híbrido, o encontro reuniu docentes para avaliar o cenário de acordos da categoria e os desafios impostos pelas recentes transformações no setor educacional. A programação também discutiu as perspectivas das relações contratuais de trabalho frente às diretrizes do novo Marco Regulatório da Educação Superior. Com a entrega da carta, as entidades buscam dar peso político às demandas e preparam a classe para os próximos processos de negociação patronal.
Bruno Laux
@obrunolaux
