Sob os jacarandás da Praça da Alfândega e diante de um público formado por autoridades, escritores, leitores e representantes do setor cultural, Porto Alegre abriu oficialmente, na tarde de 30 de outubro, a 72ª Feira do Livro, um dos mais tradicionais eventos literários do Brasil. A cerimônia ocorreu no Teatro Petrobras Carlos Urbim e marcou o início de uma programação que ocupará o Centro Histórico da Capital durante mais de duas semanas com atividades literárias, culturais e educativas.
A solenidade foi conduzida por Luciele Faria e reuniu a presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Roselice Severo Colman, a patrona da 72ª edição, Heloisa Pires Lima, Martha Medeiros patrona da edição anterior, além de representantes dos governos municipal, estadual e federal, patrocinadores e parceiros do evento.
Um dos momentos de maior significado desta edição é a escolha de Heloisa Pires Lima como patrona da feira. Escritora, antropóloga e educadora reconhecida nacionalmente, ela se tornou a primeira mulher negra a assumir a patronagem do evento em seus 72 anos de história. A nomeação é considerada um marco para a literatura gaúcha e para a representatividade no principal encontro literário do Estado, reforçando o compromisso da feira com a diversidade e a ampliação de vozes presentes na produção cultural brasileira.
Durante a cerimônia, a Câmara Rio-Grandense do Livro destacou a importância histórica da feira como espaço de encontro entre leitores e autores e como instrumento de promoção da leitura, do conhecimento e da cidadania. A abertura foi marcada por mensagens que reforçaram a cultura como elemento essencial da democracia, capaz de reunir diferentes histórias, identidades, perspectivas e formas de expressão em um mesmo espaço de convivência.
Vídeos institucionais exibidos ao público ressaltaram a relevância das políticas públicas de incentivo à cultura e da valorização da produção artística brasileira. As mensagens enfatizaram a necessidade de ampliar o acesso à leitura e à produção cultural, reforçando a importância de mecanismos que permitam democratizar o acesso aos livros, aos espetáculos e às diversas manifestações artísticas.
A programação artística teve participação da cantora Luiza Barbosa, que interpretou canções conhecidas do público, entre elas Aquarela, de Toquinho, e Eu Sou do Sul, de Elton Saldanha. A apresentação trouxe um clima de celebração ao evento e destacou a conexão entre a literatura e as demais expressões culturais presentes na formação da identidade brasileira e gaúcha.
Além da programação literária, a edição deste ano reforça ações voltadas para acessibilidade e inclusão. A cerimônia contou com tradução em Libras e descrição do espaço para o público presente. A organização apresentou a estrutura do palco e dos ambientes da feira, reafirmando o compromisso de tornar o evento cada vez mais acessível para todos os visitantes.
A sustentabilidade também ganhou destaque na abertura. A organização anunciou iniciativas de educação ambiental e orientações para a correta separação de resíduos recicláveis e orgânicos durante a realização da feira. A proposta é estimular práticas sustentáveis entre os visitantes e contribuir para a preservação dos espaços públicos que recebem as atividades.
Considerada a maior feira do livro a céu aberto da América Latina, a edição deste ano reúne 82 bancas entre livrarias, editoras e instituições. A programação prevê mais de 700 atividades culturais, incluindo debates, palestras, oficinas, encontros com escritores e apresentações artísticas. Também estão programadas cerca de 750 sessões de autógrafos, reforçando a tradicional aproximação entre autores e leitores.
A expectativa da organização é receber aproximadamente 1,5 milhão de visitantes ao longo do evento. Escolas da Capital e da Região Metropolitana já têm visitas programadas, fortalecendo a dimensão educacional da feira e o incentivo à formação de novos leitores.
Ao transformar novamente a Praça da Alfândega em um grande corredor cultural, a Feira do Livro reafirma sua condição de patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. Mais do que um espaço de comercialização de livros, o evento se consolida como um ambiente de convivência, troca de experiências e circulação de conhecimento. Em uma época marcada pela velocidade da informação digital, a feira mantém viva a tradição do encontro presencial entre leitores, autores e obras, renovando a cada edição o papel da literatura na formação humana e na construção de uma sociedade mais crítica, diversa e democrática.
Com milhares de títulos à disposição do público, centenas de atividades gratuitas e a presença de autores de diferentes gerações e estilos, a 72ª Feira do Livro abre suas páginas para mais uma edição histórica, reafirmando Porto Alegre como uma das grandes capitais culturais do país e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações desde meados do século passado.
