Ícone do site Jornal O Sul

CDL, Sindilojas e Prefeitura unem forças para revitalizar o Centro Histórico

A 72ª Feira do Livro de Porto Alegre está servindo como plataforma para uma estratégia de revitalização do Centro Histórico, unindo entidades empresariais e poder público em uma iniciativa que busca ampliar a circulação de pessoas, fortalecer a atividade econômica e aproximar novamente a população de uma das regiões mais tradicionais da capital gaúcha.

A ação reúne a CDL Porto Alegre, o Sindilojas POA e a Prefeitura de Porto Alegre, por meio do Programa Centro+, e reflete uma tendência observada em grandes centros urbanos, onde cultura, turismo e patrimônio histórico vêm sendo utilizados como ferramentas de requalificação urbana e desenvolvimento econômico. A aposta é aproveitar a capacidade de mobilização da Feira do Livro para estimular o fluxo de visitantes para além da Praça da Alfândega, ampliando a conexão do público com espaços culturais, restaurantes, serviços e estabelecimentos comerciais da região.

Com o conceito “Leia o Centro. Viva o Centro.”, o Programa Centro+ mantém um estande temático durante os 17 dias da Feira. O espaço reúne informações sobre atrativos culturais, turísticos e gastronômicos, além de sugestões de roteiros a pé e uma maquete do Viaduto Otávio Rocha, um dos marcos arquitetônicos mais conhecidos de Porto Alegre.

Mais do que uma ação de promoção cultural, a iniciativa busca responder a desafios enfrentados pelo Centro Histórico nos últimos anos. Pesquisa realizada pela CDL Porto Alegre em parceria com a In Loco Pesquisas, entre março e abril de 2025, com 1.100 moradores da Capital, apontou que 33,2% dos entrevistados consideram a insegurança o principal motivo para reduzir a frequência à região. Outros 15,3% associaram esse afastamento à saída de empresas e serviços.

Ao mesmo tempo, o levantamento revelou ativos importantes para a recuperação do Centro. Mais da metade das associações espontâneas feitas pelos entrevistados foram positivas, com destaque para referências ligadas ao Mercado Público, à história e à cultura porto-alegrense. Além disso, 27,6% apontaram o fortalecimento das atividades culturais como uma das principais medidas para impulsionar a revitalização da área.

É nesse contexto que a Feira do Livro ganha relevância para além do universo literário. A avaliação das entidades envolvidas é que a recuperação de áreas centrais também passa pela ampliação do fluxo de pessoas, pela valorização dos espaços urbanos e pelo fortalecimento das atividades econômicas que dependem da presença do público.

Como parte dessa estratégia, a programação inclui caminhadas guiadas que conectam patrimônio, literatura e memória urbana. No dia 11 de novembro, às 18h30, será realizado o roteiro “Viva o Centro a Pé”, voltado à valorização da arquitetura, da história e das transformações urbanas de Porto Alegre. Os participantes receberão um exemplar do livro Porto Alegre – Arquitetura e contexto urbano (1772–2018) e uma ecobag.

Já no dia 13 de novembro, às 18h30, ocorre o roteiro “Porto Alegre Mal-Assombrada”, passeio noturno que explora histórias, personagens e memórias da cidade. Os participantes receberão a história em quadrinhos Viaduto, de Ana Luiza Koehler, além de uma ecobag. Em caso de chuva, as caminhadas serão transferidas.

As ações integram o trabalho do Comitê do Centro Histórico, criado pela CDL Porto Alegre para discutir propostas voltadas ao desenvolvimento e à valorização da região. O objetivo é transformar a forte capacidade de atração da Feira do Livro em uma oportunidade de reconexão permanente entre a população e o Centro, ampliando a frequência de visitantes e estimulando a descoberta de novos espaços e experiências.

“A Feira do Livro mostra a força que o Centro tem para atrair pessoas. Nosso desafio é fazer com que essa movimentação não fique restrita aos dias do evento. Queremos que a população volte a frequentar a região, descubra seus estabelecimentos comerciais, valorize seus espaços culturais e perceba as transformações positivas que estão acontecendo”, afirma o presidente da CDL Porto Alegre, Carlos Klein.

Ao integrar cultura, patrimônio, turismo e atividade econômica, a iniciativa busca transformar um dos eventos mais tradicionais do Rio Grande do Sul em uma ferramenta de valorização urbana. A proposta aposta na capacidade da Feira do Livro de atrair públicos diversos para reforçar o papel do Centro Histórico como espaço de convivência, cultura e desenvolvimento econômico, em um momento em que a região busca recuperar protagonismo na vida da cidade. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

Sair da versão mobile