Ao chegar para o seu último compromisso de campanha neste sábado, na favela de Heliópolis, em São Paulo, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, comemorou o apoio do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa.
“O que Joaquim Barbosa falou é o que todo mundo sabe e alguns têm medo de dizer”, declarou a um grupo de repórteres o ex-ministro da Educação e ex-prefeito paulistano. “Nem todo mundo tem a coragem de admitir o risco que ele realmente representa para o País.
Ele se irritou, porém, ao ser perguntado sobre o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT), que retornou de uma viagem ao exterior, nesta semana, sem declarar apoio direto à campanha petista. “Eu estou querendo falar de quem até o sábado se manifestou. Para mim, o apoio de Joaquim Barbosa é a notícia do dia. Vocês estão querendo transformar uma notícia boa em uma notícia ruim. Isso só colabora com a desgraça nesse país.”
Comício improvisado
Após falar com os jornalistas, Haddad subiu na carroceria de uma caminhonete para percorrer as vielas da comunidade, uma das maiores favelas de São Paulo. Estavam ao seu lado a mulher, Ana Estela, o vereador Eduardo Suplicy (SP) e a ex-prefeita Luiza Erundina.
Durante o trajeto, apoiadores do presidenciável do PT, acompanhados de uma bateria, cantavam uma espécie de “jingle” improvisado, cuja letra dizia “Vai virar essa maré! O povo tá aqui já disse qual é: no Haddad eu boto fé!”. Animado, o candidato acompanhava a música.
Por medo das restrições da legislação eleitoral, que impede o candidato de pedir votos na véspera da eleição, o petista não discursou ao final. Pegou o microfone e disse apenas: “Obrigado. Acabei a campanha aqui porque eu sei que se virar em São Paulo vira no Brasil”.
O candidato do PT permaneceu durante aproximadamente uma hora no local. Na entrevista, ele deu a entender que fez todos os esforços que estavam ao seu alcance para atrair novos apoios políticos e voltou a criticar o adversário. “Eu já convidei todos os democratas a estarem comigo”, frisou. “Fiz isso porque sinto que Jair Bolsonaro é um risco institucional para o Brasil.”
Ciro Gomes
A pergunta dos jornalistas se referiam a um vídeo nas redes sociais em que Ciro Gomes não declarou apoio a Haddad, diferente do que a militância de esquerda esperava. Ele justificou ter optado por “preservar um caminho para que os brasileiros possam ter uma alternativa”.
“Claro que todo mundo preferia que eu, com meu estilo, tomasse um lado e participasse da campanha, mas eu não quero fazer isso por uma razão muito prática que eu não quero dizer agora. Porque, se eu não posso ajudar, atrapalhar é que eu não quero”, argumentou.
O ex-candidato do PDT, terceiro colocado no primeiro turno, recomendou o voto pela democracia e contra a intolerância. Segundo ele, o Brasil precisa, a partir de segunda-feira, construir “um grande movimento” para proteger o regime democrático e a sociedade mais pobre “dos avanços contra os direitos” e os interesses nacionais “contra a cobiça estrangeira”.
“Quero que Deus abençoe essa grande nação para que todo mundo possa caminhar amanhã a votar compreendendo a necessidade de votar com a democracia, votar contra a intolerância, votar pelo pluralismo, mas ninguém está obrigado a votar contra convicções e ideologias”, disse.
De volta ao Brasil nesta sexta-feira após viagem à Europa durante todo o segundo turno das eleições, Ciro foi recebido por uma multidão no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. Ele passou pelos militantes sem dar declarações a imprensa, e ao ser indagado se iria gravar ou não um vídeo em apoio a Fernando Haddad (PT), o pedetista ficou calado.
Enquanto isso, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que já havia declarado apoio crítico do partido ao PT, disse que a cúpula do partido iria se reunir neste sábado para discutir como seria esse apoio à sigla na reta final de campanha.
Questionado sobre se existia tempo para uma articulação e virada petista, Lupi afirmou: “Na vida existe tempo para tudo, só não tem tempo para morrer”. Ele não informou quem estará nessa reunião e disse que tem falado todos os dias com Ciro Gomes.
