Num dos últimos programas na TV, veiculado na noite de segunda-feira, o candidato Fernando Haddad (PT) usou parte do horário eleitoral para reforçar sua ligação com o ex-presidente Lula, como na época em que foi seu ministro. Cenas gravadas no Nordeste e depoimentos de eleitores da região pontuaram boa parte do programa, principalmente com elogios ao governo do petista.
A campanha havia diminuído a participação de Lula nos filmes, numa estratégia para impor ainda mais sua própria personalidade. No filme, Haddad reaparece com uma camiseta vermelha estampada com o rosto do ex-presidente.
Mas a maior parte do programa foi usada para desqualificar seu adversário, Jair Bolsonaro. Logo de cara, imagens de jornais e sites e depoimentos de eleitores dizem que o candidato do PSL é marcado pelas fake news, o chamando inclusive de mentiroso.
Também é apresentada uma série de declarações polêmicas de Bolsonaro enquanto deputado. Numa delas, diz que é favorável a tortura. Ele também aparece pegando em armas e lembra que o candidato tem se aproximado do presidente Michel Temer.
Campanha esquenta
A campanha de Haddad, juntamente com o escritório Aragão e Ferraro Advogados, entregou à Missão de Observação Eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos) documento com informações sobre episódios que, para a coligação, podem interferir no segundo turno da eleição brasileira. Os advogados de Haddad também pediram atenção às declarações do candidato do PSL.
“Relatamos à OEA o que estamos vivendo nessas eleições. Entregamos cópia da ação que demos entrada no TSE”, disse Gleisi. A senadora reclamou da atuação dos órgãos brasileiros e disse achar grave o partido não ter conseguido as medidas cautelares que solicitou. “Fico muito preocupada com o posicionamento de nossos tribunais diante desses fatos graves de dizer que não têm o que fazer e que tem o ‘tempo dos tribunais’. O tempo que tem de ser dado agora é o tempo de salvar a democracia brasileira. É isso que está em jogo e em risco”, disse. “O discurso de Bolsonaro foi pior do que o discurso de Hitler na Alemanha numa situação semelhante antes da eleição”, completou, voltando a citar vídeo do candidato do PSL divulgado no domingo.
Ela afirmou que teme casos de violência na votação de domingo. “Podemos ter um domingo sangrento nessas eleições”, disse. “Espero que as autoridades ajam para que a gente não assista isso no Brasil.”
No vídeo, Bolsonaro faz referências a Haddad e ao senador Lindbergh Farias (PT-RJ). A coligação de Haddad também pretende registrar uma peça que responsabilize Bolsonaro por possíveis atentados que Haddad ou Lindbergh Farias possam sofrer nos próximos dias, segundo advogado. “Se acontecer qualquer coisa na rua com Lindbergh Farias ou Fernando Haddad a responsabilidade é de Jair Bolsonaro”, afirmou a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann.
