O turco Aytekin Yilmazer decidiu que celebraria o seu aniversário de 37 anos como faz todos os anos: em um jantar com amigos. A festa, no entanto, não teve bolo e presentes, e ninguém cantou parabéns a você. Mas contou com a presença de pelo menos 3 mil pessoas, refugiados da Síria, do Afeganistão e de outras regiões atingidas por conflitos e que estão abrigados em um centro de acolhimento de imigrantes em Traiskirchen, ao sul de Viena, na Áustria.
A festa de Yilmazer foi feita nos arredores de uma mesquita turca e, com a ajuda de voluntários, o jantar foi servido: sopa de lentilha, arroz, vegetais e ensopado de cordeiro. De sobremesa, o cardápio era banana ou uma rosquinha austríaca recheada com geleia, uma espécie de donut.
Mesas para os refugiados abrigados no centro foram colocadas em uma área coberta, e todos os 4 mil moradores do abrigo foram convidados. Ainda não se sabe se todos participaram da festa, já que pelo menos 500 pessoas pegaram a fila por hora. Sabe-se que ao menos 3 mil estiveram no jantar de aniversário de Yilmazer.
Assim que os portões da área se abriram, a festa virou uma grande mistura de idiomas. Conforme uns comiam e liberavam as mesas, novos imigrantes se sentavam a participavam do evento. Os adultos preferiram o ensopado de cordeiro, e as crianças aproveitaram os doces.
“Não há como comparar esta comida e a do abrigo!”, disse à Associated Press a professora de literatura inglesa Widad Rageb, que deixou Aleppo com seu marido. “É uma noite muito especial”, afirmou.
Yilmazer disse que a ideia de celebrar seus 37 anos com os menos afortunados foi espontânea. “Nunca me perguntei o motivo”, afirmou. “Apenas pensei: [O que posso fazer para ajudar os imigrantes?] e o fiz”.
Segundo ele, o seu post no Facebook anunciando a festa para os refugiados primeiramente trouxe uma leva de comentários negativos de pessoas que são contra a vinda dos imigrantes das áreas de conflito. Mas logo muitos comentários em apoio apareceram, ao mesmo tempo em que os austríacos começaram a ajudar as pessoas que desembarcavam nas estações de trem de Viena.
Perguntado sobre a falta de presentes, Yilmazer riu e disse que receberá doações de amigos para financiar o banquete. Além disso, o grande presente foi o trabalho das pessoas que colaboraram ao servir a comida, ajudaran as pessoas a buscarem um lugar nas mesas, traduziram idiomas como dari, farsi e árabe e até lavaram pratos e talheres.
