A Federação Internacional de Futebol (Fifa) abriu investigação sobre a suspensão da partida entre Brasil e Argentina, no último domingo (5), pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo. Segundo fontes extraoficiais, as confederações do esporte na América do Sul (Conmebol) e dos dois países foram notificadas a prestar informações.
Agora, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem um prazo inicial de seis dias para o envio de documentos e informações em sua defesa. A investigação da Fifa é sobre uma possível violação do artigo 14 de seu Código Disciplinar, que diz respeito a partidas abandonadas ou que não foram concluídas.
Qualquer infração ao artigo prevê multa mínima de 10 mil francos suíços (R$ 56 mil) e “medidas disciplinares adicionais”, se um jogo suspenso não é remarcado. A intenção da entidade máxima do futebol é obter um desfecho rápido sobre o caso.
Ainda nesta semana, a entidade internacional (sediada na Suíça) emitiu uma nota oficial na qual sinalizava a abertura de tal investigação. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que o que aconteceu em São Paulo foi uma “loucura”.
“Vimos o que aconteceu com o jogo entre Brasil e Argentina, dois dos times mais gloriosos da América do Sul”, disse o cartola, em um vídeo gravado e exibido durante a reunião da Associação Europeia de Clubes (ECA). “Alguns oficiais, policiais e seguranças entraram em campo após alguns minutos de jogo para tirar alguns jogadores. É uma loucura, mas precisamos lidar com esses desafios, essas questões que vêm em cima da crise do Covid.”
Até o momento, a CBF emitiu duas notas oficiais a respeito do tema. Na primeira, horas depois da suspensão da partida, ela lamentou o episódio e se mostrou surpresa com a atitude da Anvisa.
Argentina
Nesta segunda, a entidade reiterou ter informado a Associação de Futebol da Argentina (AFA) a respeito das restrições sanitárias vigentes no Brasil e confirmou que os “hermanos” estavam cientes das irregularidades dos quatro jogadores (Emiliano Martínez, Buendia, Romero e Lo Celso).
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o quarteto de atletas omitiu que estivera no Reino Unido nos últimos 14 dias, o que obrigaria uma quarentena na chegada ao Brasil.
A estratégia da CBF é se isentar da responsabilidade da interrupção do jogo. Em campo, o técnico Tite reiterou aos jogadores que permanecessem no gramado da Neo Química Arena, em um sinal de que estavam dispostos a recomeçar a partida.
A decisão de não seguir com a partida veio dos argentinos, que não iriam adiante sem três titulares (Emiliano Martínez, Romero e Lo Celso).
Documentos obtidos pelo site Globo.com mostram que no sábado, véspera do jogo, a AFA pediu formalmente ao Ministério da Saúde, à Casa Civil e à Anvisa a liberação dos quatro atletas. A resposta final, com a negativa do Ministério da Saúde, foi assinada eletronicamente no domingo 50 minutos antes do início da partida
Após a suspensão da partida, a delegação argentina retornou a Buenos Aires ainda na noite de domingo. Os quatro jogadores foram liberados nesta segunda-feira e vão voltar aos seus clubes: o goleiro Emiliano Martínez e o meia-atacante Buendia ao Aston Villa, e o zagueiro Romero e o meio-campista Lo Celso, ao Tottenham.
Nesta quinta-feira (9), a Argentina pega a Bolívia no Monumental de Núñez, às 20h30min. Uma hora depois, será a vez de o Brasil receber o Peru na Arena Pernambuco, às 21h30min.
