Investigada pela Operação Lava-Jato por suspeita de receber em contas na Suíça dinheiro desviado da Petrobras, a publicitária Danielle Cunha, filha do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presta serviços ao deputado Hugo Motta (PMDB-PB), que preside a CPI que investiga o esquema de pagamento de propinas na estatal.
Desde o início do mandato do pai na Câmara, Danielle circula pelos corredores do Congresso acompanhada de Michell Yamasaki Verdejo, dono da Popcicle Digital Flavors, empresa que presta serviço de assessoria em marketing político. Além de Motta, os deputados Danilo Forte (PMDB-CE), um dos líderes da campanha de Cunha para a presidência da Casa, e André Fufuca (PEN-MA), sub-relator da CPI do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também entraram na listagem de clientes da publicitária.
Segundo a imprensa, em agosto ela foi vista dentro do plenário da Câmara abordando parlamentares. Entre eles, o atual ministro da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera (PMDB-RJ), chamado pelo doleiro Alberto Youseff de pau mandado de Cunha.
Motta foi procurado para falar sobre o possível choque de interesses por ser assessorado por alguém que poderá entrar na lista de investigados da CPI que preside, mas não respondeu aos contatos. Segundo a assessoria do parlamentar, a relação de trabalho entre ele e Danielle não foi desfeita após a autorização de abertura de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) contra ela por lavagem de dinheiro.
Danielle aparece em documentos enviados na quinta-feira à PGR (Procuradoria-Geral da República) como beneficiária das contas atribuídas ao seu pai na Suíça. De posse das novas evidências, a PGR pediu ao STF a abertura de inquéritos em que pai e filha, além da mãe, Cláudia Cruz, são investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. (AG)
