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Dragagem de mineração: única solução técnica e economicamente viável para o desassoreamento do Guaíba.

(Foto: Vitor Rosa/Secom)

Por Thiago Knippling

 

Dia 9 de agosto, sábado, termina o prazo da consulta pública sobre o zoneamento ambiental e socioeconômico — estudo subdividido em nove pontos — que permite, ou melhor, restringe áreas para a execução da dragagem de mineração. Essa é a única forma de retirar os sedimentos do Guaíba de forma efetiva, gratuita e com recolhimento de impostos.

O Rio Guaíba é patrimônio ambiental, esportivo, turístico e cultural de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Sua gestão deve equilibrar preservação ambiental e uso social, garantindo condições seguras de navegação e fomentando atividades esportivas, de lazer, turismo e econômicas de forma sustentável.

Há consenso social, especialmente da comunidade náutica do RS, sobre a necessidade de desassoreamento do Guaíba — especialmente após as cheias recentes, que alteraram as condições de navegação, aumentaram a presença de bancos de areia e trouxeram perigos isolados como troncos e árvores submersas, além de obstruírem vias navegáveis alternativas ao canal hidroviário (transporte de carga). A dragagem é imprescindível para a segurança da navegação, preservação de rotas e raias esportivas e potencialização do turismo náutico.

A avaliação social, cultural e econômica deste estudo não levou em consideração nada — nem ninguém — que boia no Rio Guaíba. E o que mais me chamou a atenção foi o fato de que uma empresa de Pernambuco foi contratada para realizar este levantamento em Porto Alegre.

A minuta restringe a avaliação socioeconômica a atividades como caminhadas, chimarrão na orla, skate e práticas religiosas, citando apenas alguns pescadores.

Há, seguramente, mais de 1.500 embarcações aptas para navegar — entre veleiros de oceano, monotipos, canoagem, lanchas, motoaquáticas, etc. Sem falar no transporte hidroviário de passageiros: a CatSul transporta aproximadamente 1.600 pessoas por dia nos trajetos entre o Centro, o Shopping Pontal e a cidade de Guaíba. E, diga-se de passagem, trata-se de um excelente passeio — apenas 14 minutos do Shopping Pontal até Guaíba.

Há competições náuticas todos os fins de semana, inclusive campeonatos mundiais e sul-americanos, que atraem velejadores estrangeiros. Nenhuma dessas atividades foi adequadamente registrada no estudo.

Uma via secundária de navegação, paralela à Ilha do Presídio (Ilha das Pedras Brancas, na carta náutica), no sentido norte-sul — cujo alinhamento era feito visualmente, entre a Usina do Gasômetro e a ponta do Sava Clube — já não existe mais. Além do acúmulo de sedimentos, as dragas que atuam no canal próximo à Pedra da Piava, desassoreando o canal de navegação (transporte de carga), despejam esses sedimentos justamente na entrada desse canalete.

Portanto, é necessário considerar a flexibilização dessas restrições, para que o desassoreamento efetivo ocorra também em alguns trechos além do canal principal por onde passam os navios.

Também é importante refletir sobre a barreira natural existente na saída para a Lagoa dos Patos, no canal do Campista, onde há praticamente um paredão submerso muito raso, com profundidade entre 1 e 2 metros. Isso pode comprometer a vazão para a Lagoa dos Patos em tempos de cheia.

O extinto DEPREC foi criado como resposta direta à grande enchente de 1941. Com o passar dos anos e a ausência de novas enchentes, o departamento passou a ser malvisto pela sociedade, sendo considerado um cabide de empregos e sinônimo de desperdício de recursos públicos. Agora, vivemos um momento histórico semelhante — apesar do bom trabalho desenvolvido pela Portos RS no canal hidroviário.

Meu perfil no Instagram traz conteúdos em que mostro, por meio de mapas, essas situações. Quem tiver interesse em saber o que acontece — de bom e de nem tão bom assim — no nosso amado Rio Guaíba, é só seguir: @tkportoalegre

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