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“Fizemos um pacto: não vamos cair na Operação Lava-Jato”, diz Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro (PSL) vem exercendo influência no governo do pai. (Foto: Reprodução/Instagram)

O deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, não disputará a presidência da Câmara dos Deputados. Um dos “homens-forte” do futuro governo bolsonarista, Eduardo descartou a troca de cargos por apoio no Congresso e afirmou que não vão cair na Operação Lava-Jato: “Não vamos para a cadeia’’.

Em entrevista ao jornal O Globo, Eduardo — que foi o parlamentar mais votado da história do País, com 1,8 milhão de votos — disse não ter idade suficiente para o posto e que a cadeira, no que depender dele, não será ocupado por “cria do PT”.

1. Qual será o seu papel no Congresso?

Inevitavelmente terei um papel de ligação com o governo, por causa do parentesco. Vou estar com meu pai no fim de semana, sou muito próximo do Onyx (Lorenzoni), que é o futuro chefe da Casa Civil. Vai ser um papel de muita articulação aqui dentro, analisando projetos e Medida Provisórias que chegarem para aprovação. Um papel de líder do governo sem ser. Pretendo ficar só com a liderança do PSL. Não pretendo tentar a presidência da Casa.

2. Por quê?

É preciso ter mais de 35 anos e eu tenho 34. Faço aniversário só em julho. Em princípio, meu papel vai ser mesmo esse. A não ser que o meu pai me dê outra missão.

3. Há três nomes citados para a presidência da Câmara pelo próprio Jair Bolsonaro.

Esse é o momento de surgirem os nomes e depois passar pelo filtro. Ver quem é que o PSL vai apoiar. Obviamente também passa por uma conversa com o Jair Bolsonaro, mas o perfil é bem simples: tem que estar alinhado com ele para a gente ter confiança. O Legislativo anda de mãos dadas com o Executivo. A gente não quer o Executivo interferindo aqui dentro. Mas ter um presidente que toque as pautas é muito importante.

4. Rodrigo Maia já se movimenta para tentar se manter na presidência da Câmara.

Ele tem uma boa relação com a gente. O perfil dele é de articulador. É uma pessoa aberta ao diálogo, mas a gente tem algumas pautas na questão cultural, que a gente sabe que o PT e o PCdoB não são simpáticos. Temos que conversar com ele para saber o que pensa. O “Escola sem partido”, por exemplo, é uma bandeira muito forte que a gente gostaria de votar. Se chegar à presidência da Câmara com (apoio do) PT, PCdoB, provavelmente não vai ser simpático à pauta. É trabalhar para não ter uma cria do PT no comando da Câmara.

5. É possível votar matérias só com apoio de bancadas temáticas ou os líderes partidários vão ajudar?

Vamos tentar os dois flancos. O receio, qual é? Se você falar apenas em partidos, vai voltar aquela questão do toma lá dá cá. O partido apoia, se você der um ministério para ele. Isso a gente não quer. A gente acredita muito mais nas bancadas temáticas. Então, uma pauta do agronegócio, vai contar com o apoio da bancada da agricultura. Bancada da bala a mesma coisa.

6. Em discussões mais complexas, como a da Previdência, vão agir de que forma?

Você trabalha com sugestões dos parlamentares ao texto. Se a gente chamar para fazer o texto junto, vencemos essa resistência. De forma alguma podemos retroceder ao sistema de antes, do petrolão, do mensalão. Isso não tem como. A gente fez um pacto: a gente não vai para a cadeia. A gente não vai cair na mão do Sérgio Moro nem da Lava-Jato. Se o partido colocar a faca no pescoço: “O partido tal vota se tiver o ministério tal”. Sinto muito, mas não vai ter. Será que eles conseguem aprovar o impeachment de um presidente recém-chegado? Olha para o (Fernando) Collor e para a Dilma (Rousseff). Como estava a popularidade deles quando receberam o impeachment?

7. A bancada do PSL apoiará a reforma da Previdência?

Acho que sim. Primeiro, a gente vai arrumar um erro desse governo. Ele mandou a proposta para cá e não trabalhou junto à sociedade o que seria a reforma. A esquerda rapidamente conseguiu convencer os brasileiros de que a proposta era a aposentadoria aos 65 anos de idade (como idade mínima). Nenhum deputado ficou confortável para votar. Para além disso, a gente acredita que a proposta do Paulo Guedes será diferente. Agora, não se enganem. É uma medida impopular que o Brasil precisa tomar.

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