A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República busca manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como principal referência eleitoral da campanha. Flávio afirmou nessa terça-feira (18), que pretende recorrer à imagem do pai “dentro dos limites estabelecidos pela legislação” e voltou a fazer críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O candidato do PL também atribuiu a dificuldade para conquistar o apoio de partidos do Centrão a uma suposta pressão exercida por autoridades em Brasília. Segundo o candidato, dirigentes dessas legendas teriam sido orientados a não aderir à sua candidatura. Ele, porém, não apresentou nomes ou relatou quais autoridades estariam envolvidas.
A adesão de siglas do Centrão é considerada estratégica pelas campanhas presidenciais principalmente pelo impacto que pode ter na estrutura eleitoral e no espaço disponível no rádio e na televisão. Flávio reconheceu a importância desses apoios, mas afirmou que o cenário atual tem relação com as supostas pressões sobre os dirigentes partidários.
“Seria importante ter o tempo de TV e rádio, mas hoje todos estão vendo as razões”, disse em entrevista à Rádio Itatiaia.
Mesmo impedido de participar fisicamente da campanha, Jair Bolsonaro deve continuar sendo utilizado como uma das principais referências da candidatura do filho. Flávio afirmou que a equipe jurídica definirá até onde será possível levar essa estratégia sem ultrapassar as regras eleitorais.
“O jurídico ainda vai me dar o limite. Vou usar o limite do que a legislação permitir”, afirmou.
A questão ganhou destaque depois que o PL apresentou, durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio, uma peça produzida com inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente para manifestar apoio ao filho.
O episódio colocou a utilização de recursos de inteligência artificial nas campanhas eleitorais no centro do debate do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte discute quais serão os limites para esse tipo de conteúdo e como deverão ser tratados eventuais casos de uso irregular da tecnologia.
Críticas
Durante a entrevista, Flávio voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes ao comentar as restrições impostas ao ex-presidente. O senador afirmou que Bolsonaro estaria enfrentando medidas que, em sua avaliação, limitam até mesmo o contato com familiares.
“Bolsonaro foi julgado pelos seus próprios inimigos”, disse. Em seguida, Flávio afirmou que Moraes está impedindo o ex-presidente de se comunicar por carta e restringindo visitas de seus filhos.
O candidato do PL reforçou nas últimas semanas suas críticas a integrantes da Corte, em especial, os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Flávio Dino. Ele acusa o Judiciário de promover censura e perseguição a nomes da direita, incluindo seu pai.
Depois, durante caminhada e “adesivaço” com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e apoiadores em Belo Horizonte (MG), Flávio disse que pretende manter uma “relação positiva e institucional” com o STF e que só vai querer “paz para governar”.
“Sempre quis construir ponte, sempre tentei fazer isso. Só quero paz para governar. Vou indicar quatro homens e mulheres que sejam contra o aborto, contra as drogas, respeitem a Constituição e que não usem a caneta para promover perseguição por risco”, disse a jornalistas. “Vai ser uma relação, não tem nenhuma dúvida, institucional, muito positiva”, continuou.
Michelle
Flávio também aproveitou a entrevista para destacar a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha. O gesto ocorre depois de um período de desentendimentos entre os dois, que chegou a público durante a pré-campanha.
A ex-primeira-dama havia afirmado ter se sentido “humilhada” pelo enteado em um vídeo divulgado nas redes sociais. Flávio posteriormente pediu desculpas, e os dois passaram a demonstrar uma reaproximação.
Agora, o senador elogiou a atuação de Michelle e afirmou que ela já começou a pedir votos para sua candidatura.
“Ela está fazendo um grande papel”, disse Flávio, ao mencionar também a atuação política da ex-primeira-dama e sua participação na campanha. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
