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Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos

Em vídeo na segunda-feira (26), Flávio afirmou que não sairia do País e que entregaria os passaportes à PF. (Foto: Charles Vieira)

O senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou nessa terça-feira (27), aos Estados Unidos com sua mulher e duas filhas. A informação confirmada por integrantes do governo americano.

Nessa terça, a Polícia Federal (PF) comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que Flávio descumpriu a ordem judicial para entrega dos seus passaportes. Por isso, a PF realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle.

Flávio Bolsonaro foi intimado na segunda (26), a entregar seus passaportes em um prazo de 24 horas. Esse prazo venceu no final da manhã dessa terça, mas ele não compareceu para cumprir a ordem. Apesar do descumprimento, não é possível considerá-lo foragido, porque não há mandado de prisão contra o senador.

A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso foi revelado pelo Estadão em 18 de outubro, uma semana antes do segundo turno. Flávio negou irregularidades e classificou a medida como uma tentativa de intimidação.

O Departamento de Estado dos EUA informou que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família. O candidato do PL não reconheceu a derrota nas urnas ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.

A vitória de Lula foi reconhecida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio – por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

O mandato de Flávio como senador termina em 31 de janeiro de 2027, data em que perde o foro por prerrogativa de função. Um dia após a derrota para Lula – quando disse que pediria a anulação das eleições –, Flávio disse na segunda que iria “organizar” a oposição ao governo.

Em vídeo na segunda-feira, ele afirmou que não sairia do País e que entregaria o passaporte à PF, seguindo a intimação que recebeu na manhã daquele dia.

“Eu nunca pensei em sair do País. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, disse o Flávio na véspera de fugir do Brasil.

No vídeo, Flávio afirmou ainda que a decisão de Moraes teria como motivação uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), feita em um podcast americano. No programa, realizado na sexta-feira anterior ao dia da eleição, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o País, caso perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso”, disse o senador.

Investigações

Alvo de investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) e de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador está sujeito a desdobramentos que podem resultar em uma eventual condenação penal ou em sua inelegibilidade. A situação ganha um novo contorno com a proximidade do fim de seu mandato, em janeiro de 2027, quando Flávio ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em 24 anos e perderá as prerrogativas parlamentares.

Uma das investigações já levou à imposição de medidas cautelares contra o senador. Flávio foi intimado pela PF a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que também proibiu sua saída do País e o impediu de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.

A investigação teve origem em uma apuração da PF sobre plataformas de apostas e pagamentos digitais. Ao analisar dados extraídos da nuvem do advogado, os investigadores identificaram registros de encontros e viagens envolvendo Flávio, além de documentos que mencionavam o senador como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding. O material foi encaminhado ao STF em 8 de outubro, em razão do foro do parlamentar, e distribuído a Moraes.

Outra investigação no Supremo apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Os recursos destinados à produção foram negociados pelo senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas aos repasses para a produção. Em outubro, a Polícia Federal pediu mais 90 dias para concluir a investigação, incluindo perícias contábeis e diligências nos Estados Unidos para rastrear o destino dos recursos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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