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Flávio Bolsonaro chega às urnas com uma campanha que se mostrou resiliente às sucessivas crises

Flávio fez campanha marcada por crises e caso "Dark Horse". (Foto: Reprodução)

Da surpresa do meio político e frustração do mercado financeiro com o anúncio de sua candidatura ao resultado expressivo nas pesquisas eleitorais, Flávio Bolsonaro (PL) chega às urnas com uma campanha que se mostrou resiliente às sucessivas crises. Escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para sucedê-lo na disputa presidencial, o senador conseguiu atravessar as turbulências sem perder competitividade.

Nem as ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, nem o isolamento político do PL e tampouco as brigas internas da direita desidrataram o desempenho de Flávio. O senador se manteve como o único postulante com chances reais contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.

A construção da imagem do presidenciável passou por uma ideia de “o mais moderado da familia” e o “Bolsonaro que tomou vacina”, em uma tentativa de diferenciá-lo de Jair. A leitura de estrategistas de sua equipe é de que o senador herda tanto os votos do pai quanto a rejeição do ex-presidente, preso em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

Escalado para coordenar a campanha, o líder da oposição no Senado e ex-ministro do governo Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), ficou encarregado de construir as alianças regionais e liderar a estratégia nacional. A escolha de Marinho para ocupar um dos principais postos da equipe e algumas das decisões que ele tomaria foram alvo de críticas de aliados bolsonaristas ao longo da campanha, especialmente por conta do perfil centralizador. Ele, no entanto, teve carta branca de Flávio e Jair para decidir a estratégia bolsonarista em 2026.

Ao longo do período eleitoral, a campanha de Flávio explorou três temas principais: a segurança pública, o preço dos alimentos e a corrupção. O comando do marketing, no entanto, teve uma alta rotatividade. Passaram pelo posto Sergio Lima, Marcello Lopes, Eduardo Fischer, Alexandre Oltramari e, por fim, Duda Lima. Esse último está no cargo desde agosto e deu o tom da propaganda.

Segundo interlocutores, a pré-campanha foi marcada por problemas de comunicação, dificuldades de articulação e conflitos internos. A sucessão de episódios impediu a candidatura de estabelecer uma agenda positiva e fez com que propostas fossem constantemente ofuscadas por novas crises. O período oficial da campanha foi visto internamente como mais positivo.

Um dos principais abalos para a campanha foi a revelação de que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do seu paí. Além disso, o envolvimento do senador em uma tentativa – sem sucesso – de reverter o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e a falta de apoio de partidos do Centrão também baquearam a candidatura.

Outras crises vieram de dentro do próprio núcleo bolsonarista, como a exposição pública do desentendimento dos filhos de Bolsonaro com a ex-primeira dama, Michelle. Também é citado o apoio mais tímido dado a Flávio por nomes importantes, como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

O maior impacto nas intenções de voto, contabilizado pelas pesquisas eleitorais, foi após o caso “Dark Horse”, em maio. A crise foi sucedida, poucas semanas depois, pelo racha público com a madrasta. A campanha tentou reagir para evitar desgaste à imagem do senador, mas só foi recuperar o estrago nas pesquisas eleitorais meses depois, em setembro.

Quando é questionado sobre o destino do montante que foi pago por Vorcaro ao filme, Flávio responde que cabe à produtora prestar contas e alega que isso já foi feito após a empresa responder à Justiça. O candidato também costuma destacar que se tratou de um pedido de investimento privado, embora o Master tenha recebido aportes de fundos de previdência de servidores públicos.

As mensagens mostraram que Flávio chamava o ex-banqueiro de “irmão” e, também, que visitou Vorcaro após a prisão. Ele nega irregularidades, mas passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro e de corrupção, em um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O tema foi reavivado nas últimas semanas após o levantamento do sigilo, por Mendonça, das investigações envolvendo a instituição financeira. No relatório enviado pela PF ao Supremo, Flávio é tratado como “interlocutor direto” do ex-dono do Master. Também veio a público que Flávio usou um jatinho de Vorcaro, algo que havia negado meses antes.

Apesar de a divulgação de novos detalhes ter gerado uma repercussão momentânea, o foco das últimas semanas foi a crise entre os ministros do STF. Com o propósito de ganhar apoio diante da instabilidade institucional, o senador fez críticas a Alexandre de Moraes e sua suposta relação com Vorcaro e exaltou a atuação de Mendonça como relator do inquérito. (Com informações do Valor Econômico)

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