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Flávio Bolsonaro cogita nomear um militar como ministro da Defesa, caso seja eleito; se Lula conseguir a reeleição, é possível que a pasta tenha pela primeira vez uma mulher como titular

O Ministério da Defesa foi criado em 1999, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, após muita resistência dos militares. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cogita nomear um militar como ministro da Defesa caso seja eleito neste domingo (25). Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguir a reeleição, a pasta poderá ter, pela primeira vez, uma mulher no comando: a atual secretária-geral do ministério, Cinara Wagner Fredo.

De acordo com a Folha de S.Paulo, Flávio comentou com aliados que gostaria de nomear um militar para a Defesa, que seria o único integrante das Forças Armadas no primeiro escalão, além do titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A proposta representaria uma mudança em relação ao governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que nomeou militares para diversos ministérios.

Caso a ideia avance, o escolhido precisaria ser um oficial-general de quatro estrelas, provavelmente da Marinha. Entre os nomes cotados estão os almirantes Flávio Rocha, ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos, e Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia. Ambos serviram ao governo Bolsonaro e não foram condenados por tentativa de golpe. Rocha tem proximidade com a família Bolsonaro.

Entretanto, aliados mais moderados defendem que Flávio escolha um civil, seguindo a tradição de subordinação do poder militar ao civil. Um dos possíveis nomes é Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa e ex-diretor de um conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos, ligado a Eduardo Bolsonaro e ao comentarista Paulo Figueiredo.

Outro nome que ganhou força entre militares é o do senador reeleito Carlos Portinho (PL-RJ). Ele tem proximidade com Flávio e apoio nas três Forças Armadas, além de ser autor de uma proposta de emenda constitucional que busca garantir previsibilidade ao orçamento de defesa. A proposta previa originalmente destinar ao setor pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

A possível nomeação de Portinho, porém, esbarra no fato de que o Ministério da Defesa costuma atrair pouco políticos em ascensão, devido ao orçamento comprometido com despesas de pessoal e à baixa visibilidade eleitoral.

Se Lula for reeleito, o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, deverá deixar o cargo. Ele defende a nomeação de Cinara Wagner Fredo, destacando sua capacidade técnica e experiência administrativa. Servidora do INSS, ela foi incorporada à Defesa para atuar em questões relacionadas à Previdência dos militares.

Múcio também pretende argumentar que a escolha de Cinara representaria um marco histórico para a participação feminina no comando da pasta. Atualmente, ela ocupa um posto estratégico e participou de iniciativas como a realização de concurso para servidores civis e a abertura do serviço militar voluntário para mulheres.

Entre os desafios futuros do ministério estão centralizar as compras das três Forças Armadas e reduzir o número de adidos militares no exterior. Múcio afirma ter cumprido suas principais missões, incluindo reduzir a politização das Forças Armadas e estimular a recuperação da indústria de defesa. Ele já tentou deixar o cargo, mas Lula o convenceu a permanecer. Em caso de reeleição, poderá sair antes do fim do mandato, com Cinara assumindo interinamente.

Criado em 1999, durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, o Ministério da Defesa teve civis no comando até o governo Michel Temer, que nomeou o general Joaquim Silva e Luna. Bolsonaro manteve militares na função, entre eles Fernando Azevedo e Silva, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira. Os dois últimos foram presos por tentativa de golpe de Estado. (Com informações da Folha de S.Paulo.)

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