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Flávio Bolsonaro critica ligação de Lula com Flávio Dino: “Continua sendo subordinado no Supremo?”

"Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo", disse Flávio. (Foto: Charles Vieira/Divulgação)

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou a ligação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino durante um evento do governo em Belém (PA). O senador questionou se o ministro “continua sendo subordinado” a Lula no STF.

“Ontem, Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo. Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?”, disse Flávio.

“O próximo presidente do Brasil indicará pelo menos mais 4 ministros para o STF. Não vamos deixar que mais 4 Dinos ou 4 Moraes integrem essa Instituição tão importante para a democracia. Vamos proteger o STF. Ou o Brasil vence, ou o Lula acaba com o Brasil”, acrescentou.

A ligação ocorreu antes de Lula sancionar uma lei proposta por Dino quando ele ainda era senador. O momento foi transmitido ao vivo pelo canal do presidente no YouTube. Antes de assinar a sanção, Lula pediu ao embaixador Fernando Igreja, chefe do Cerimonial da Presidência da República, que fizesse a ligação. Igreja entregou o celular ao presidente, que pediu para colocá-lo no viva-voz.

Lula: “Ô Flávio, Flávio”. O áudio da resposta de Dino é baixo, mas aparentemente ele responde: “Oi, tudo bom, presidente?”.

Lula então explicou que estava no Hospital Beneficente Portuguesa, em Belém, e que iria sancionar o projeto apresentado por Dino após a morte de seu filho de 13 anos.

“Deixa eu lhe falar uma coisa, eu tô aqui em Belém, nós estamos no Hospital Beneficente Portuguesa e eu vou assinar, sancionar a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos, obrigando que tivéssemos acompanhamento para medir a qualidade do tratamento que as pessoas recebem nos hospitais particulares”.

“Então eu tô te ligando, eu tô ao vivo aqui, o Stuckinha (Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial de Lula) tá filmando aqui. Eu vou sancionar, eu não queria sancionar sem falar com você. Se você puder gritar um pouco aí e dar um alô para o povo do Pará e mostrar o significado do seu projeto, acho que o povo vai ouvir, vamos ver. Fale…”, acrescentou o presidente.

Após alguns segundos de silêncio, Igreja conferiu o celular e avisou que a ligação havia caído. Lula, então, seguiu com o evento.

A ligação ocorreu em meio a uma semana de embate entre Dino e o ministro André Mendonça. O indicado de Lula derrubou uma ordem tomada por Mendonça, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e liberou postagens sobre a suposta intenção de Flávio em tirar Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil.

A liminar de Dino levou o presidente do TSE, Nunes Marques, a reclamar formalmente com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a interferência de ministros na Justiça Eleitoral. Na noite de segunda-feira (28), o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a ordem de Mendonça.

Projeto

Lula sancionou a lei que cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela Iniciativa Privada durante uma visita ao complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, em Belém.

O projeto foi um dos últimos apresentados por Dino como senador, em 19 de fevereiro de 2024. O texto foi motivado por uma tragédia pessoal na família do ministro.

Em 13 de fevereiro de 2012, Marcelo Dino, filho do ministro, foi levado ao hospital com uma crise de asma. Ele chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas morreu menos de 24 horas depois, na manhã do dia 14 de fevereiro. Marcelo tinha 13 anos.

À época, Dino era o presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur). Dino e sua então esposa processaram o hospital. Em outubro de 2025, os dois receberam uma indenização de R$ 1,2 milhão. O valor foi doado.

Em um post no Instagram após a decisão, o ministro disse que optou por divulgar o caso para que “outras famílias, também vítimas de negligências profissionais e empresariais, não deixem de mover os processos cabíveis”. Ele ponderou que “nada resolve” para quem perdeu um filho, “mas as ações judiciais podem salvar outras vidas”. (Com informações da Gazeta do Povo)

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