O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é lambe-botas da China e afirmou que vai propor ao governo Donald Trump a criação de uma zona de livre comércio nas Américas — ele mencionou a sigla Afta (Americas Free Trade Agreement) para o acordo.
“Vim [aos EUA] proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Todo mundo tá vendo o vexame que o Lula tá sendo na arena internacional, alguém que a todo momento ataca os Estados Unidos, faz questão de dizer que é antiamericano”, disse Flávio, numa transmissão nas redes sociais.
“Ele [Lula] coloca a ideologia acima dos interesses do povo brasileiro, é isso que ele está fazendo. A todo momento lambe as botas da China e taca pedra nos EUA”.
Flávio participou na última terça-feira (7) de uma audiência pública no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) no âmbito da investigação comercial contra o Brasil. O órgão americano propôs a imposição de um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, e uma recomendação definitiva deve ser feita até 15 de julho.
A previsão inicial era que Flávio retornasse ainda na terça ao Brasil, mas ele anunciou o adiamento para cumprir reuniões na capital americana. O parlamentar não detalhou com quem irá se encontrar.
Na transmissão, Flávio disse que há informações de bastidores indicando que a sobretaxa será efetivamente sugerida pelo USTR. “Já é uma coisa que tá todo mundo falando. Cabia a mim ali fazer uma defesa técnica e também política —eu fiz a defesa técnica e tentando os argumentos que vão sensibilizar o governo americano”, afirmou.
Em outro momento, o senador disse que vai defender junto a autoridades americanas a criação de uma zona de livre comércio nas Américas, em uma proposta que faz eco à tentativa dos americanos de criar a Alca na década de 1990 e no início dos anos 2000.
“Eu pretendo juntar minha parte técnica para falar o seguinte: não tem o Nafta? O que é o Nafta? É o North American Free Trade Agreement, é um acordo de livre comércio da América do Norte. A sigla mudou para USMCA, que é United States, Mexico and Canada. Eles apenas mudaram a sigla, mas continua sendo a essência, eles apenas evoluíram em alguns setores na área de livre comércio entre esses três países […]”.
O USMCA é um acordo considerado vital para a América do Norte, mas duramente criticado pelo presidente Donald Trump. No início de julho, ao invés de conceder uma prorrogação automática por mais 16 anos, o governo acionou o processo de revisão anual, que inicia uma contagem regressiva de dez anos até a eventual expiração do acordo.
O senador brasileiro afirma que, ao invés do antigo Nafta, “a gente pode cortar essa letrinha N e passar a usar o Afta — o Acordo de Livre Comércio das Américas. Aonde o Brasil pode sim incluir. As nossas economias, EUA e Brasil, são complementares. A gente tem uma avenida de oportunidade para trazer investimentos americanos para cá”, disse.
O senador citou ainda o recente acordo comercial firmado entre a Argentina e os EUA e disse que o país governado pelo ultraliberal Javier Milei poderia ser incluído na proposta.
“Essas reuniões de manhã [dessa quarta] podem ser importantes também. Eu vou levar essa questão da possibilidade de ter uma Área de Livre Comércio das Américas. Não apenas entre EUA, México e Canadá, é algo que o Brasil pode ser incluído. A gente pode conversar para a Argentina vir junto também — é um mercado consumir muito grande”, declarou.
Curiosamente, a intenção inicial dos EUA, no início das negociações na década de 1990, era batizar a Alca de Afta, como sugere agora Flávio. De acordo com reportagem daquela época no Los Angeles Times, os americanos mudaram o acrônico justamente pela associação do nome, em português e espanhol, com aftas bucais e com a febre aftosa — tema sensível para países exportadores de carne. (Com informações da Folha de S.Paulo)
