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Flávio Bolsonaro envia carta ao governo Trump pedindo o adiamento do tarifaço

Pré-candidato do PL (foto) ao Planalto afirmou que novas tarifas vão gerar custos para economia americana e podem favorecer Lula. (Foto: GAI Media)

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, encaminhou ao governo dos Estados Unidos um documento em que defende a suspensão da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. No texto, enviado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o parlamentar afirma que a medida acabaria produzindo o efeito contrário ao desejado e fortaleceria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas das eleições de 2026.

Segundo Flávio, a manutenção do chamado “tarifaço” daria ao atual governo “exatamente a vitória política que ele vem buscando”, ao mesmo tempo em que prejudicaria empresas, consumidores e produtores tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos. O senador sustenta que a sobretaxa poderia ser explorada eleitoralmente pelo Palácio do Planalto, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional e ampliando o apoio ao governo entre parte do eleitorado.

O documento foi apresentado no âmbito da investigação comercial aberta pelo USTR com base na Seção 301 da legislação norte-americana, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas consideradas desleais no comércio internacional. Além de enviar suas manifestações por escrito, Flávio também se inscreveu para participar da audiência pública promovida pelo órgão em Washington, prevista para ocorrer em 7 de julho, quando representantes do setor privado e autoridades poderão apresentar argumentos favoráveis ou contrários às novas tarifas.

Na argumentação encaminhada às autoridades americanas, o senador afirma que pesquisas de intenção de voto indicam crescimento de Lula justamente após o anúncio das possíveis sanções comerciais. Para ele, esses levantamentos demonstrariam que a pressão econômica dos Estados Unidos estaria fortalecendo politicamente o governo brasileiro, em vez de enfraquecê-lo. Por isso, Flávio pede que a adoção das tarifas seja suspensa ou, ao menos, adiada para depois das eleições presidenciais brasileiras, evitando que a medida seja interpretada como uma tentativa de interferência no processo eleitoral.

O governo do presidente norte-americano Donald Trump anunciou no início de junho a conclusão da investigação comercial contra o Brasil e propôs a elevação das tarifas sobre diversos produtos brasileiros em 25%. A decisão definitiva, entretanto, ainda depende da avaliação das contribuições recebidas durante o período de consulta pública e da manifestação final da Casa Branca.

Desde que a proposta foi divulgada, o tema passou a ocupar espaço central no debate político brasileiro. Integrantes do governo Lula responsabilizam aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo desgaste diplomático com Washington, enquanto representantes da oposição atribuem a crise à condução da política externa brasileira. O próprio Flávio tem afirmado que sua atuação junto às autoridades americanas busca impedir a entrada em vigor das tarifas e preservar a relação comercial entre os dois países.

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