O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende intensificar, nos próximos dias, a agenda de compromissos voltados ao eleitorado feminino em uma tentativa de reduzir o impacto político da escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente de sua chapa. A estratégia busca reforçar o diálogo com esse segmento do eleitorado após a definição da composição da candidatura.
A decisão de indicar um homem para a vice-presidência gerou frustração entre aliadas de Flávio Bolsonaro, que esperavam a escolha de uma mulher para ampliar a representatividade da chapa. Integrantes próximas ao senador avaliaram reservadamente que a definição “decepcionou” parte da base feminina envolvida na campanha, especialmente aquelas que defendiam uma composição capaz de ampliar a interlocução com o eleitorado de mulheres.
Além disso, interlocutoras do presidenciável avaliam que as acusações de estupro feitas por adversários políticos contra Alfredo Gaspar podem dificultar ainda mais a aproximação da campanha com esse público. Na avaliação dessas aliadas, a repercussão do caso tende a ampliar a resistência de parte do eleitorado feminino à candidatura do senador.
O deputado Alfredo Gaspar nega as acusações. Em manifestação encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR), ele afirmou estar à disposição para fornecer novo material genético e sustenta que um exame de DNA poderá comprovar sua inocência.
“Estou implorando, façam o exame de DNA, a prova científica”, afirmou o parlamentar em entrevista à Coluna do Estadão.
Diante desse cenário, a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) organiza um encontro de Flávio Bolsonaro com mulheres neste sábado (8), em Itapetininga, no interior de São Paulo. Ex-prefeita do município, Simone integra o grupo de colaboradores da campanha do senador em pautas relacionadas ao eleitorado feminino e participa da articulação de eventos voltados a esse segmento.
A parlamentar chegou a ser cogitada para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial. No entanto, a decisão de neutralidade adotada pela federação formada por PP e União Brasil inviabilizou a possibilidade de composição entre as legendas, levando o PL a optar por um nome do próprio partido.
Segundo Simone Marquetto, mais de mil mulheres já confirmaram presença no encontro programado para este fim de semana. O evento também deverá contar com a participação dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que acompanharão Flávio Bolsonaro na agenda política.
“O interior de São Paulo é de direita, mas é uma conversa sem extremismos. Quero trazer ele para um encontro moderado”, afirmou a deputada.
A campanha avalia que iniciativas desse tipo podem ampliar o diálogo com eleitoras e contribuir para reduzir a rejeição registrada nas pesquisas de opinião. De acordo com levantamento recente do Datafolha, Flávio Bolsonaro é o candidato com maior índice de rejeição entre as mulheres. Segundo a pesquisa, 50% das entrevistadas afirmaram que não votariam de forma alguma no presidenciável do PL no primeiro turno. No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse percentual é de 44%.
Os números são acompanhados de perto pela campanha, que pretende intensificar agendas temáticas e encontros com lideranças femininas ao longo das próximas semanas, buscando ampliar sua presença junto a esse segmento do eleitorado. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)
