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Flávio Bolsonaro leva campanha à missa da Padroeira e Lula fica no Alvorada

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em uma celebração na capela do Palácio da Alvorada, e Flávio Bolsonaro foi à Catedral Metropolitana de Brasília. (Fotos: Ricardo Stuckert e Charles Vieira)

Após a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, marcar o primeiro turno das eleições, os dois candidatos à Presidência que seguem na disputa participaram nessa segunda-feira (12) de missas no dia dedicado à santa. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em uma celebração na capela do Palácio da Alvorada, seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), foi à Catedral Metropolitana de Brasília.

Lula é católico e convidou um grupo restrito para acompanhar a missa, celebrada pelo padre jesuíta Álvaro Pimentel. Estavam presentes o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o senador Camilo Santana (PT-CE).

“Recebemos aqui para homenagear a Nossa Senhora Aparecida, sobretudo num instante que Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros. Esse gesto é para poder mostrar que, em um país civilizado, harmônico, democrático, cada um segue a religião que quiser e todos nós temos de respeitar”, disse o presidente após a missa.

Já Flávio, que é evangélico e foi batizado em 2024, participou de uma missa na Catedral de Brasília acompanhado da esposa, Fernanda, e do candidato a vice em sua chapa, Alfredo Gaspar, que é católico. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo padre Agenor Vieira, pároco da catedral.

O senador se sentou na primeira fileira, acompanhou trechos da missa pelo folheto litúrgico e cantou junto em alguns momentos. Parte dos assentos em frente ao altar foi reservada para autoridades e políticos que acompanharam a comitiva. Entre os aliados do candidato presentes estavam a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), o deputado Izalci Lucas (PL-DF) e Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha, além de familiares. A deputada federal Simone Marquetto (MDB-SP), que chegou a ser cotada para a vaga de vice na chapa de Flávio, entrou na catedral carregando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Título de padroeira

Flávio chegou a cogitar uma visita ao Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, mas desistiu da ideia diante do risco de reavivar a polêmica envolvendo a padroeira na campanha. Em setembro, o senador precisou rebater a alegação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.

O senador, que nega intenção de adotar a medida se eleito, foi associado a um projeto apresentado no Congresso em 2007 que propunha restringir o título de padroeira aos brasileiros católicos e acabou arquivado em 2008. Impulsionado nas redes sociais, o tema foi parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a remoção de publicações sobre o assunto.

No Santuário Nacional de Aparecida, a missa solene celebrada nesta segunda-feira pelo arcebispo Dom Mário Antonio da Silva fez um apelo à pacificação:

“Jesus manda construir a paz, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, guerras e tantos confrontos entre nós. O evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos. O evangelho nos autoriza a construir pontes.”

A missa contou com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e de sua mulher, Lu Alckmin, além da deputada federal Tabata Amaral (PSB) e do marido, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).

A passagem de figuras públicas pela basílica é uma tradição na política nacional. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi ao complexo religioso em pelo menos três ocasiões nos últimos anos, incluindo feriados da padroeira. Em disputas anteriores, José Serra, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e Ciro Gomes também incluíram o destino no Vale do Paraíba em suas rotas de campanha.

Alckmin foi festejado por apoiadores do petista que se concentraram em uma das saídas da basílica. Eles entoaram gritos de ordem e em defesa da reeleição do presidente. No momento em que o vice começou a descer as escadas, vaias se misturaram a aplausos e cânticos favoráveis ao presidente, que prevaleceram. Ao deixar a basílica, Alckmin defendeu a liberdade religiosa:

“Defendemos a liberdade religiosa. Cada um pode ter a sua religião, deve respeitar a religião dos outros, até quem não tem religião. Então essa é a beleza, o Brasil é um país de paz”, disse. “Ano passado não teve eleição e estávamos aqui, ano que vem não terá eleição e estaremos aqui.” (Com informações do jornal O Globo)

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